Um Legado Arquitetônico em Evolução
Em Belo Horizonte, os edifícios escolares, que abrangem todos os níveis de ensino, têm se destacado na paisagem urbana não apenas pela grandiosidade de suas construções, mas também pela atenção à estética arquitetônica. Com o passar do tempo, muitos desses edifícios foram preservados e tombados, tornando-se parte do nosso patrimônio cultural.
Por outro lado, as obras mais recentes trazem consigo a inovação e as novas tendências arquitetônicas, refletindo a evolução do espaço educacional na capital mineira. Assim, a arquitetura escolar de Belo Horizonte não é apenas uma questão de construção de prédios; é um testemunho da história e do desenvolvimento social da cidade.
Hoje, vamos explorar alguns desses edifícios que desempenharam um papel fundamental na formação da identidade urbana de Belo Horizonte, destacando seus estilos arquitetônicos e a contribuição de renomados arquitetos.
Selecionamos uma obra representativa de cada estilo, do eclético ao contemporâneo. Confira a seguir.
Grupo Escolar Barão do Rio Branco
Um dos exemplos mais notáveis do início da arquitetura escolar em Belo Horizonte é o Grupo Escolar Barão do Rio Branco, localizado na Avenida Getúlio Vargas, número 1059. Este edifício, tombado como patrimônio cultural, foi projetado em 1911 pelo arquiteto italiano Luiz Olivieri, que teve um papel significativo na Comissão Construtora da Nova Capital e fundou o primeiro escritório particular de arquitetura da cidade em 1897.
Inaugurado em 1914, o Barão do Rio Branco foi o segundo grupo escolar da cidade, destinado a atender os filhos dos funcionários públicos que se mudaram de Ouro Preto para a nova capital. Na época, esses grupos escolares ofereciam o que hoje conhecemos como ensino fundamental. A arquitetura do prédio é marcada por influências neoclássicas, com detalhes que evocam a tradição greco-romana, como janelas arqueadas, frontões e capitéis.
Essa escola, ora chamada Escola Estadual Barão do Rio Branco, já formou várias personalidades importantes, incluindo ex-prefeitos, governadores e até mesmo uma estilista famosa, como Zuzu Angel.
Colégio Santo Agostinho
Outro marco da arquitetura escolar em Belo Horizonte é o Colégio Santo Agostinho, situado na esquina da Rua dos Aimorés com a Rua Araguari. Projetado pelo arquiteto Romeo de Paoli e inaugurado em 1936, o colégio é um exemplo clássico do estilo Art Déco na cidade.
Com um design que destaca uma esquina arredondada e elementos cúbicos, a fachada do colégio apresenta um jogo de filetes horizontais e verticais, característicos do Art Déco. Durante as décadas de 1930 e 1940, De Paoli foi um dos arquitetos mais prolíficos da cidade, responsável por diversos projetos reconhecidos neste estilo.
Escola Estadual Governador Milton Campos
Neste contexto, a Escola Estadual Governador Milton Campos, também conhecida como Estadual Central, se destaca por suas características modernistas. Projetada por Oscar Niemeyer na década de 1950, a escola foi uma encomenda do governador Juscelino Kubitschek e inaugurada em 1956.
O prédio, construído em concreto armado, combina formas curvilíneas e retilíneas que remetem a objetos escolares, como uma cantina que se assemelha a uma borracha. Este projeto reflete a liberdade criativa de Niemeyer e seu estilo único, que rompeu com os padrões do modernismo ortodoxo da época.
Dentre os alunos ilustres desse estabelecimento, destacam-se figuras como o cartunista Henfil e a ex-presidente Dilma Rousseff, que passaram por seus bancos durante suas trajetórias acadêmicas.
Núcleo de Ensino e Extensão Continuada (NEEC)
O Núcleo de Ensino e Extensão Continuada, agora denominado Escola Estadual Professor Hilton Rocha, foi concebido em 1986 pelo escritório Gustavo Penna Arquiteto & Associados. Inaugurado em 1987, o NEEC expressa a arquitetura pós-moderna, que se caracterizou pela valorização de elementos tradicionais e pela introdução de tecnologias construtivas.
Este edifício destaca-se pela utilização do aço em sua estrutura, um material abundante nas siderúrgicas mineiras, que na época estava sendo cada vez mais explorado na construção. As fachadas são adornadas com triângulos vermelhos, uma referência à bandeira de Minas Gerais, simbolizando a identidade local e fortalezas culturais.
Plug Minas – Centro de Formação e Experimentação Digital
Por último, mas não menos importante, o Plug Minas, inaugurado em 2010, representa a estética contemporânea na arquitetura escolar de Belo Horizonte. Projetado por Raphael Yanny, o edifício reflete uma multiplicidade de linguagens e tecnologias construtivas que caracterizam a arquitetura do século XXI.
A obra destaca-se por suas formas minimalistas e ortogonais, complementadas por paredes diagonais e cores vibrantes, alinhando-se à corrente do neomodernismo. Essa nova abordagem destaca a liberdade criativa e a fragmentação das correntes arquitetônicas contemporâneas, representando bem a versatilidade e inovação que marcam a arquitetura atual na capital mineira.
