Cenário Político em Minas Gerais
Em busca de palanques fortes para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governo federal reafirma seu interesse na candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD) para liderar Minas Gerais. No entanto, Pacheco, que deve deixar o PSD para se filiar ao União Brasil nas próximas semanas, ainda deliberará sobre a sua própria candidatura ao Executivo estadual. Enquanto isso, membros do PT começam a considerar outras opções para a eleição, que vão desde nomes do próprio partido a figuras consideradas outsiders no cenário político mineiro.
Lula, em entrevista ao UOL, voltou a demonstrar otimismo em relação a Pacheco. Em resposta a uma pergunta sobre a definição da chapa, o presidente fez um apelo ao senador. “Se eu conheço a alma mineira, nós vamos ganhar as eleições outra vez. E eu quero dizer aqui em alto e bom som, eu ainda não desisti de você, Pacheco. Você sabe que nós vamos ter uma conversa e acho que você pode ser o futuro governador de Minas”, afirmou Lula.
Movimentações Partidárias
Pacheco planeja a transição para o União Brasil após o carnaval, em uma articulação liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União). O objetivo é que, ao se juntar ao novo partido, Pacheco possa fortalecer sua bancada no Congresso ou se lançar como candidato ao governo. Além disso, a direção do diretório estadual do União Brasil deve ser transferida para o deputado Rodrigo de Castro, que é aliado do senador.
Esse movimento ocorre em um momento em que o senador considera sua permanência no PSD “insustentável”, especialmente após a adesão do vice-governador Mateus Simões (PSD), que foi escolhido como sucessor do governador Romeu Zema (Novo), também pré-candidato à Presidência. No novo contexto, aliados de Pacheco afirmam que ele poderá alinhar-se ao projeto político de Lula, com tempo para decidir seu caminho para as eleições deste ano.
Planos Alternativos Dentro do PT
Enquanto a posição de Pacheco permanece indefinida, algumas alas do PT começaram a articular um plano B, considerando apoiar a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT). A possibilidade de aliança foi confirmada pelo presidente do PDT, Carlos Lupi, em uma postagem nas redes sociais, onde mencionou ter encontrado-se com Edinho Silva, líder do diretório nacional do PT.
Na postagem, além de reafirmar a aliança do PDT para a reeleição de Lula, Lupi declarou ter recebido a confirmação do apoio petista às candidaturas de Juliana Brizola no Rio Grande do Sul, Alexandre Kalil em Minas, e Requião Filho no Paraná. Ele acrescentou que, com a formalização interna do PT, a intenção é avançar para vencer em estados estratégicos.
Entretanto, o diretório do PT divulgou uma nota esclarecendo que a reunião entre os dirigentes tinha como foco um diálogo sobre a reeleição de Lula, sem intenção de definir palanques eleitorais nos estados. “As definições sobre as candidaturas seguem em debate e serão construídas em acordo com os diretórios estaduais”, concluiu o comunicado. Esta declaração gerou reações, incluindo uma crítica de Kalil, que expressou sua insatisfação nas redes sociais, afirmando que “eleição é um saco” e que no seu palanque figuram apenas quem ele desejar.
Candidatos em Potencial
No cenário das alternativas, além de Kalil, estão sendo cogitadas as prefeitas de Contagem, Marília Campos (PT), e de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT). Marília manifestou seu desejo de concorrer ao Senado, desde que seja a única candidata de Lula nessa disputa. Por sua vez, Margarida enfatizou sua intenção de concluir seu mandato à frente da prefeitura.
Outras indicações que estão sendo discutidas incluem Josué Gomes da Silva, ex-presidente da Fiesp e filho do ex-vice-presidente José Alencar, além de Sandra Goulart, reitora da Universidade Federal de Minas Gerais. O Partido Verde (PV), que integra uma federação com o PT, também está considerando o nome do ex-prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda.
O deputado estadual e ex-presidente do diretório petista em Minas Gerais, Cristiano Silveira, comentou a situação: “Acredito que saímos de uma condição de não ter muitas opções para uma realidade em que começam a surgir boas candidaturas. Independentemente da escolha, teremos uma representação forte”, afirmou.
