Financiamento do Carnaval de Belo Horizonte
O Carnaval de Belo Horizonte, um dos maiores do Brasil, representa um desafio financeiro significativo. Em 2024, a prefeitura de Belo Horizonte destinará R$ 28 milhões para a festa, sendo esta a maior parte dos recursos. Em setembro do ano passado, a administração municipal lançou um edital com a meta de arrecadar R$ 21 milhões através de patrocinadores privados, mas a adesão foi bem abaixo do esperado. O edital, que passou por várias prorrogações, acabou sendo considerado deserto, ou seja, não houve interessados.
Após a decepção com o primeiro chamamento, a prefeitura revisou as condições e republicou o edital em dezembro. Novamente, não houve retorno positivo da iniciativa privada, resultando em apenas R$ 2,3 milhões obtidos, o que representa menos de 10% do montante inicialmente previsto.
Contribuições de Entidades e Governo
Dentre os apoiadores que confirmaram participação estão a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), o Sesc em Minas e o Supermercados BH, com investimentos de R$ 500 mil cada. A Caixa Econômica Federal também se juntou ao esforço, com um aporte de R$ 800 mil. Além disso, o governo estadual destinou R$ 13,4 milhões para garantir a infraestrutura necessária, incluindo a sonorização das avenidas Brasil, Amazonas e Andradas, além do projeto Via das Artes, que oferecerá diversas atrações culturais durante a folia.
A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) também contribuiu, alocando R$ 12 milhões por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, beneficiando projetos carnavalescos em todo o estado.
Alocação dos Recursos no Carnaval
Os recursos municipais são destinados principalmente à infraestrutura da festa, como a locação de banheiros químicos, serviço de segurança e apoio operacional durante os desfiles. Um total de R$ 3,78 milhões será repassado a blocos caricatos e escolas de samba, enquanto R$ 3,21 milhões beneficiarão blocos de rua, embora apenas 104 deles tenham sido contemplados. Entre os selecionados, 49 receberam R$ 41,5 mil, 35 obtiveram R$ 24,1 mil, e outros 20, R$ 14,6 mil.
Busca por Recursos: O Desafio dos Blocos de Rua
Os blocos de rua, que são a alma do carnaval, enfrentam dificuldades para garantir financiamento. A verba pública, frequentemente insuficiente, leva muitos a buscar alternativas. Alguns deles conseguem patrocínios privados ou têm projetos aprovados pela lei de incentivo à cultura, enquanto outros realizam eventos e ensaios pagos para arrecadar dinheiro. A presidente da Liga Belorizontina de Blocos Carnavalescos, Polly Paixão, destaca que logo após cada carnaval, os blocos iniciam a corrida por recursos para o ano seguinte. “É um ‘junta junta’, bem complicado. Com a cidade cheia, e o comércio faturando alto, quem faz a festa ainda precisa correr atrás de patrocínios”, afirma.
Pois, mesmo aqueles que conseguem algum auxílio financeiro da prefeitura ainda precisam buscar mais recursos. Polly sugere a criação de uma lei que obrigue empresas que lucram com o carnaval a reinvestir na festa. “É uma maneira justa de garantir a sustentabilidade econômica do carnaval, que ainda precisa evoluir nesse aspecto”, conclui.
Patrocínios e a Presença de Artistas Nacionais
Nos últimos anos, o carnaval de Belo Horizonte se consolidou e atraiu artistas de renome nacional. Contudo, a prefeitura ressalta que não utiliza recursos públicos municipais para contratação de atrações nacionais, que são financiadas por empresas privadas. No entanto, muitos blocos de rua sentem que a presença desses artistas dificulta ainda mais a captação de verba para suas atividades. “Os blocos locais enfrentam apoio escasso e a falta de patrocínios, mesmo com a cidade cheia de turistas e foliões”, afirmam representantes do setor.
Com a expectativa de um carnaval grandioso em 2024, o desafio de garantir recursos adequados permanece, refletindo a necessidade de um planejamento mais eficaz para a festa que movimenta Belo Horizonte todos os anos.
