A Expectativa de Crescimento no Carnaval de BH
A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) revelou que 98,9% dos comerciantes e empresários do setor de turismo estão otimistas quanto às perspectivas para o Carnaval de 2026. Os proprietários esperam um aumento de 15% na movimentação financeira durante o período festivo. Esse otimismo, sustentado por indicadores econômicos positivos, reflete uma mudança significativa na forma como os foliões da capital mineira se relacionam com a festa. A tendência agora é investir mais na experiência do Carnaval do que simplesmente buscar opções de baixo custo.
O Carnaval em Belo Horizonte se consolida como uma verdadeira indústria, indo além do turismo tradicional e profissionalizando artistas plásticos, designers e artesãos que encontram, na festividade, um mercado com alto valor agregado. Segundo Eduardo Cruvinel, presidente da Belotur, “O Carnaval é um dos maiores impulsionadores da economia criativa da cidade. Ele movimenta uma cadeia produtiva diversa, que vai desde a criação de figurinos e adereços até experiências únicas, estimulando o empreendedorismo e ampliando as oportunidades de trabalho e desenvolvimento econômico na capital”.
Transformação no Perfil do Empreendedor
O perfil do empreendedor ligado ao Carnaval também passou por uma transformação. Deixou de ser uma fonte de renda extra, muitas vezes improvisada, para se tornar um negócio bem estruturado. Um exemplo disso é Bruna Sadra, terapeuta que, durante o período que antecede o Carnaval, se reposiciona como empreendedora à frente da marca Rainha do Glitter. Especializada na confecção de adereços de cabeça de alta qualidade, feitos com penas, paetês e pedrarias, Bruna adotou uma estratégia agressiva para 2026, aumentando sua produção em 50% e focando nos itens mais vendidos do ano anterior.
O planejamento, que inicialmente previa um estoque até a véspera da festa, teve um resultado surpreendente: as mercadorias se esgotaram duas semanas antes do início oficial. “Para minha surpresa, terminei duas semanas antes. As pessoas perceberam que, para quem quer produtos de qualidade, é necessário se antecipar. Quem deixou para a última hora ficou de fora”, afirma Bruna, ressaltando que o público não busca apenas preços baixos, mas sim exclusividade em seus produtos, que começam a partir de R$ 140.
O Valor da Exclusividade no Carnaval
A sofisticação do mercado de adereços carnavalescos é evidente, como demonstra a artista plástica Kelly Camillozzi, que atua na criação de maquiagens artísticas e adereços autorais. Kelly percebeu um aumento na demanda por seus serviços, com sua agenda sendo disputada semanas antes da folia. Para ela, o Carnaval de Belo Horizonte atingiu um patamar em que o cliente compreende a diferença entre preço e valor. “São poucas as pessoas que entendem essa distinção, mas quem entende, volta. Não se trata apenas de um produto ou serviço, mas de uma experiência única”, explica.
A artista também menciona o desafio trazido pela inflação dos insumos, que elevaram os custos de produção. “O poder aquisitivo diminuiu e os materiais aumentaram significativamente. Não consigo entregar um produto de qualidade cobrando preços baixos, porque isso limita minha criatividade. Quem busca meu trabalho sabe que há anos de estudo e técnica por trás de cada peça”, afirma Kelly, sublinhando que o mercado de exclusividade permanece aquecido, especialmente para quem busca diferenciação.
Geração de Empregos e Renda no Setor
A movimentação econômica gerada pelo Carnaval é notável, com estimativas apontando para a criação de 20 a 25 mil postos de trabalho temporários. Além dos artesãos e maquiadores, a cadeia produtiva inclui músicos e profissionais do setor de serviços. A economia criativa de Belo Horizonte atrai turistas mais exigentes, conforme a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (ABIH-MG), que prevê uma taxa de ocupação superior a 80% nos estabelecimentos, com picos de lotação em áreas centrais.
O Comércio Tradicional como Aliado do Folião
Enquanto os ateliês exclusivos enfrentam filas de espera, o comércio varejista nas regiões centrais e nos bairros se torna um importante aliado para os foliões de última hora. Lojas na Rua dos Tamoios, na Galeria Ouvidor e na Avenida Álvares Cabral atuam como verdadeiros “QGs da folia”, oferecendo uma gama de produtos, desde paetês e glitter para customizações até fantasias prontas.
Essa diversidade de opções é crucial para a economia local. Ao optar por comprar no comércio de rua ou em bairros como Padre Eustáquio e Santa Inês, o consumidor fortalece a economia da cidade. Mesmo que a compra seja de uma tiara de R$ 300 ou de um pacote de glitter de R$ 5, todo valor gasto contribui para a movimentação econômica da capital. Eduardo Cruvinel explica que essa coexistência entre o mercado artesanal de luxo e o varejo popular é uma evidência do sucesso do modelo econômico de Belo Horizonte. “Temos opções para todos os bolsos e estilos. O essencial é fazer com que o dinheiro circule em Belo Horizonte, promovendo renda para todos os envolvidos”.
