A Celebração do Samba em Belo Horizonte
As escolas de samba de Belo Horizonte, com seus desfiles na Avenida dos Andradas, preparam-se para uma nova e emocionante temporada, que promete atrair milhares de foliões. O Carnaval de 2026, programado para os dias 16 e 17 de fevereiro, não apenas reafirma a importância do espetáculo visual, mas também a continuidade de uma tradição cultural rica. A oficialização do samba como patrimônio imaterial traz esperança e proteção a essa rica herança, assegurando que futuras gerações possam se beneficiar dessa manifestação cultural.
Este ano, a Avenida dos Andradas será novamente o epicentro da festa, onde as escolas de samba dividirão o espaço com os tradicionais blocos caricatos, uma marca registrada da cultura belorizontina. Nessa celebração, famílias inteiras serão vistas desfilando em caminhões ornamentados, mesclando elementos de teatro e alegria nas ruas da cidade.
Um Espetáculo da Memória e da Família
Quando a Avenida dos Andradas se transforma em uma passarela para o Carnaval, o que emerge não são apenas as impressionantes alegorias e trajes vibrantes, mas a rica história que conecta famílias inteiras ao longo das gerações. As escolas de samba na capital mineira se destacam como verdadeiros centros de resistência cultural, onde a paixão pelo samba une avós, filhos e netos em um mesmo compasso.
O reconhecimento recente do samba como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade, resultado de um inventário colaborativo com a UFMG, celebra a importância da gestão familiar e a transmissão de saberes como pilares dessa festividade que movimenta tanto a economia quanto a identidade local. A pesquisa “Horizontes do Samba” demonstrou que essa estrutura familiar é uma característica marcante do samba mineiro, refletindo-se em diversas escolas ao longo da cidade.
Desde a fundação da Pedreira Unida, em 1938, até as instituições contemporâneas, a hereditariedade sempre assegurou a continuidade da cultura popular, mesmo em tempos de escassez de recursos. Dentro dos barracões e quadras da cidade, o carnaval é ensinado e perpetuado de geração em geração: a avó costureira transmite suas habilidades à neta, enquanto o pai, mestre de bateria, ensina o filho a tocar, transformando cada desfile em um rito de passagem e pertencimento.
Mudanças que Atraem Novas Gerações
Para garantir que essa tradição seja vivida por todas as idades, a programação deste ano traz uma inovação significativa: os desfiles ocorrerão no período da tarde. Na segunda-feira (16), o Grupo de Acesso inicia a festa a partir das 14h, seguido pelos Blocos Caricatos do Grupo A ao anoitecer. Na terça-feira (17), será a vez do Grupo Especial brilhar a partir das 18h. Essa mudança estratégica permitirá que crianças, idosos e famílias participem plenamente da festividade sob a luz do dia.
A Velha Guarda do Samba de BH, estabelecida em 1970, é uma das chaves para manter viva a memória e a essência do carnaval na cidade. Composta por ícones que dedicaram suas vidas ao samba, essa agremiação carrega a sabedoria e as lições de figuras como Mandruvá, que faleceu em 2023. Como ele mesmo afirmou em uma entrevista ao Portal Uai: “Nós somos a raiz. Sem raiz, a árvore não fica em pé. O carnaval de BH cresceu, virou multidão, mas quem segurou a bandeira quando ninguém olhava para a gente foram as comunidades, as famílias que nunca deixaram o samba morrer”, deixando um legado que continua a inspirar novas gerações.
