Pisa na Fulô: Um Encerramento Memorável do Carnaval de BH
Na última terça-feira, 17 de fevereiro, o carnaval de Belo Horizonte chegou ao seu grandioso final com o desfile do Pisa na Fulô. O tema deste ano, ‘Velho Chico Encantado’, trouxe à tona a tradição do Vale do São Francisco, com o icônico verso ‘Eu gosto de Juazeiro e adoro Petrolina’, eternizado na interpretação de Alceu Valença. Este clima festivo e nostálgico de celebração da cultura nordestina foi marcado por mensagens urgentes sobre a preservação ambiental.
Transformando a Avenida Pastor Anselmo Silvestre em um verdadeiro leito de rio, o bloco apresentou uma cenografia impressionante, figurinos vibrantes e performances que evocaram ilhas e travessias. As carrancas, esculturas típicas que simbolizam a proteção das embarcações, foram um dos destaques visuais que enriqueceram o desfile. Com sanfonas e zabumbas, a multidão se deixou levar por ritmos contagiantes como xote, baião e xaxado, criando um ambiente de pura festividade.
A Conexão Cultural Entre Minas e o Nordeste
O Pisa na Fulô não é apenas um bloco de Carnaval; é o primeiro a celebrar o forró na capital mineira, reforçando o intercâmbio cultural entre Minas Gerais e o Nordeste. Essa conexão é essencial, já que o nascimento do rio se dá em solo mineiro e ele é vital para as comunidades que vivem em suas margens. Assim, o desfile se torna uma ponte entre as culturas e tradições, unindo diferentes regiões do Brasil.
Defesa das Águas e da Liberdade Cultural
Além da festa, a celebração também foi marcada por importantes manifestações políticas e sociais. A deputada federal Célia Xakriabá fez questão de participar do evento, ressaltando a importância da defesa das águas, uma questão que se tornou central nas discussões ambientais do século XXI. “O Pisa na Fulô traz um tema recivilizatório. Enfrentamos a contaminação de rios e estamos mobilizados contra a privatização das águas. É uma pauta que transcende partidos”, afirmou a parlamentar, indicando a urgência das questões abordadas.
A deputada estadual Bella Gonçalves também se fez presente, enfatizando a necessidade de preservar a liberdade cultural no Brasil. “O Brasil e o Carnaval são soberanos. Ninguém vai censurar a nossa festa”, declarou, celebrando a diversidade que caracteriza este momento tão especial da cultura brasileira.
O encerramento do bloco foi um espetáculo à parte, com um show de luzes e uma forte adesão do público. Foliões, fantasiados com elementos do sertão, dançaram entusiasticamente no asfalto até o último instante, consagrando o Pisa na Fulô como o grande ‘ponto final’ da folia em Belo Horizonte em 2026.
