A Evolução do Carnaval Belo-Horizontino
Até o início dos anos 2000, Belo Horizonte era conhecida por sua tranquilidade durante o carnaval, com as ruas praticamente vazias. Uma reportagem da Rede Minas, datada de 1990, questionou os cidadãos sobre o que fazer na cidade durante a folia. As respostas foram desoladoras: “Nada”, “sair de Belo Horizonte” ou até mesmo “sumir da cidade”. No entanto, essa realidade começou a mudar drasticamente com o tempo.
Um marco dessa transformação foi em 1989, quando chuvas intensas causaram destruição na capital mineira, levando a prefeitura a cancelar a festa. Assim, a década de 1990 ficou marcada por um apagão carnavalesco, agravado pela falta de incentivos do governo. A cidade se consolidou como um lugar de sossego e marasmo nesse período, distante do agito característico do carnaval.
A verdadeira mudança começou a se desenhar em 2009, quando músicos se reuniram de forma espontânea na Região Centro-Sul de BH, buscando ocupar o espaço urbano e revitalizar a folia. A resposta institucional a essa movimentação não foi positiva: em dezembro daquele mesmo ano, o então prefeito Marcio Lacerda emitiu um decreto proibindo eventos na Praça da Estação, um dos principais pontos da cidade. Contudo, essa proibição gerou uma resposta criativa dos foliões, que lançaram a Praia da Estação em 2010, um movimento que impulsionou ainda mais a ocupação das vias públicas.
Desde então, o carnaval de Belo Horizonte não parou de crescer, tanto em tamanho quanto em diversidade. Dados oficiais da Prefeitura indicam que, neste ano, mais de 600 blocos de rua estavam cadastrados, oferecendo opções para todos os gostos e idades.
Impulsionando o Turismo e a Economia
O impacto desse crescimento é visível em diversas áreas, incluindo o transporte. Durante o carnaval de 2026, o Terminal Rodoviário Governador Israel Pinheiro (Tergip) registrou a passagem de 152.258 passageiros, o que representa um aumento de 2,6% em relação ao ano anterior. No Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, localizado em Confins, o número de viajantes internacionais saltou 18,5%, crescendo de 7.500 para 8.887.
A hotelaria também se beneficiou: a taxa média de ocupação em Belo Horizonte alcançou 85,62%, com picos de 92,3% durante o final de semana, superando o recorde de 90,2% do ano anterior. Esse cenário demonstra a importância do carnaval não apenas como um evento cultural, mas também como um motor econômico para a cidade.
Folia Diversificada e Atrações para Todos
O carnaval de Belo Horizonte hoje atrai artistas de renome nacional e apresentações em grandes avenidas, como Afonso Pena e Amazonas. Neste ano, o bloco da cantora Marina Sena foi um exemplo de sucesso, atraindo cerca de 400 mil foliões, segundo a prefeitura. Essa diversidade de atrações é um reflexo do crescimento e da aceitação das festividades na capital mineira.
Além dos blocos de rua, Belo Horizonte mantém viva a tradição dos desfiles das escolas de samba, que são uma verdadeira celebração de brilho, cor e melodias. Neste ano, a escola Estrela do Vale conquistou o título de grande campeã, reafirmando a relevância dos desfiles na programação carnavalesca da cidade.
O que antes era visto como um período de desinteresse se revolucionou, transformando o carnaval de BH em um dos maiores do Brasil em menos de duas décadas. Com um cenário cultural em constante evolução, a capital mineira, hoje, é sinônimo de folia e alegria durante o período carnavalesco.
