A Mostra ‘As Faces da Showgirl: Desejo e Ruínas’
O Cine Humberto Mauro, localizado no coração de Belo Horizonte, abriga entre os dias 4 e 31 de março a mostra intitulada ‘As Faces da Showgirl: Desejo e Ruínas’. Esta iniciativa, que celebra o mês das mulheres, apresenta um total de 42 produções cinematográficas de 14 países, abrangendo desde 1918 até 2025. O público poderá desfrutar de uma programação que inclui curtas e longas-metragens, ficções, documentários e obras experimentais, a maioria dirigida por mulheres, e tudo isso de forma totalmente gratuita.
A curadoria da mostra fica a cargo da pesquisadora e professora Juliana Gusman, que traz um novo olhar sobre a temática, dando continuidade às discussões da mostra anterior, que homenageou Billy Wilder e Marilyn Monroe, mas com um foco renovado. “Estamos lidando com uma noção mais ampliada da showgirl, entendida como as atrizes, cantoras, bailarinas, trabalhadoras sexuais, drag queens, rainhas de escola de samba e todas as profissionais que, de alguma forma, mobilizam e tensionam ideais de feminilidade”, explica Juliana.
Um Século de Reflexões e Imagens
A filmografia selecionada atravessa mais de cem anos de narrativas e representações sobre espetáculo, corpo, desejo e poder. A proposta é fragmentar o ícone singular da showgirl em uma constelação de figuras, gestos e histórias que, de alguma maneira, desafiam, renovam ou até implodem essa tradição. “Acredito que isso vai além do que se espera de uma simples exibição, é uma oportunidade para refletir sobre como essas figuras se inserem na sociedade”, destaca a curadora.
A entrada para a mostra é gratuita e a distribuição dos ingressos será feita de duas formas: 50% deles estarão disponíveis online, a partir do meio-dia do dia das sessões, por meio do site da Sympla, enquanto o restante poderá ser retirado na bilheteria do cinema.
Diversidade na Programação
A programação é rica e variada, incluindo clássicos como ‘Cabaret’ (1972), de Bob Fosse, e ‘Dance, Girl, Dance’ (1940), de Dorothy Arzner, além da atuação marcante de Ninón Sevilla em ‘Vítimas do Pecado’ (1951). Outro destaque é Dercy Gonçalves em ‘A Grande Vedete’ (1958), de Watson Macedo. A mostra também contará com quatro sessões comentadas que aprofundarão as discussões sobre os filmes ‘Showgirls’ (1995), de Paul Verhoeven; ‘A última showgirl’ (2024), de Gia Coppola; e o clássico feminista ‘Espelhos Partidos’ (1984), de Marleen Gorris, que será exibido pela primeira vez no Brasil. Um quarto longa-metragem, que será revelado apenas na hora da exibição, integra a ‘Sessão Secreta’.
Reflexões sobre a Showgirl
Juliana Gusman ressalta que o foco foi em fissuras dentro do arquétipo da showgirl, buscando obras dirigidas ou roteirizadas por mulheres, além de priorizar produções que expressem a subjetividade e a agência femininas, abrangendo diversas raças, sexualidades e contextos sociais. “Quero que o público veja como a showgirl foi moldada em diferentes culturas e períodos, ultrapassando os limites do imaginário clássico da Era de Ouro de Hollywood”, explica.
Além disso, a curadoria da mostra foi estrategicamente pensada para ocorrer em março, um mês que simboliza as lutas feministas por mudanças sociais mais abrangentes e significativas. “Espero que essas obras gerem encontros, experiências e momentos que nos incentivem a sair de uma inércia resignada”, conclui Juliana.
Anote as datas e não perca a oportunidade de participar dessa celebração do papel feminino nas artes, que promete ser enriquecedora e inspiradora!
