Paralisação dos Trabalhadores da Educação
A greve na rede estadual de educação em Minas Gerais alcançou, nesta quarta-feira (11), seu sétimo dia de mobilização. O movimento, que tem gerado um clima de incertezas para as famílias com estudantes matriculados em escolas estaduais, é promovido pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE/MG). Em meio a essa situação, uma assembleia decisiva está agendada para as 14h em Belo Horizonte, onde os próximos passos da greve deverão ser discutidos.
O movimento começou na quarta-feira anterior, dia 4, e busca reivindicar um percentual maior de reajuste salarial, assim como a compensação das perdas acumuladas desde 2019. De acordo com o sindicato, a defasagem pode atingir impressionantes 41,83% nesse período.
Dificuldades Enfrentadas pelas Famílias
Para muitos pais em Uberlândia, a falta de aulas regulares tem impactado tanto o aprendizado quanto a vida financeira. Alessiane Fernanda Melo, mãe de uma aluna de 13 anos que estuda em período integral na Escola Estadual Enéas Vasconcelos, relata que as aulas no período da manhã estão totalmente paralisadas. “Minha filha estuda em período integral, mas só está tendo aula à tarde. Eu pago R$ 350 de van escolar e, mesmo sem aula no período da manhã, o valor continua o mesmo”, desabafou.
Essa mudança na rotina escolar forçou Alessiane a buscar apoio de familiares para cuidar da filha durante os horários em que não há aulas. “Tenho que revezar entre minha mãe e minha sogra, que moram em outra região da cidade. Não posso deixar minha filha sozinha”, contou a mãe, que expressa sua preocupação com o impacto no aprendizado. “A maioria dos pais é contra. Parar um dia é compreensível, mas uma semana é complicado. O aluno volta e já tem prova”, completou.
Funcionamento das Escolas em Uberlândia
No início da greve, a adesão à paralisação foi considerada baixa na cidade, mas, com o avanço dos dias, algumas escolas começaram a reduzir suas atividades por conta da participação de servidores no movimento. Na Escola Estadual Custódio da Costa Pereira, por exemplo, a paralisação teve início nesta semana, sem previsão de retorno total. Já no Conservatório Estadual de Música Cora Pavan Capparelli, mais de dez profissionais aderiram à greve até o momento.
Em várias unidades, as aulas continuam com os docentes que optaram por não participar da paralisação, muitos dos quais temem represálias como o corte de ponto.
Debates sobre Substituição de Professores
Durante o período da greve, também foram levantadas discussões sobre a contratação de professores temporários para substituir os docentes paralisados. Na capital, houve tentativas de substituição na Escola Estadual Paulo das Graças da Silva, que foram suspendidas após questionamento por parte do sindicato. Este destacou que a legislação vigente proíbe a contratação de substitutos durante a greve.
Resposta do Governo de Minas
Em resposta às reivindicações, o Governo de Minas Gerais emitiu uma nota onde afirma ter adotado diversas medidas desde 2019 para reorganizar as contas públicas e assegurar o pagamento dos servidores. O Executivo salientou que, em 2022, foi concedido um reajuste de 10,06% ao funcionalismo e que, para 2024, está prevista uma nova recomposição de 4,62%. Além disso, o governo destacou que o pagamento do 13º salário está sendo realizado em dia.
