Adiantamento das obras e as razões por trás da decisão
As obras do Rodoanel da Região Metropolitana de Belo Horizonte, que eram esperadas para começar em 2023, agora têm previsão para serem iniciadas apenas no segundo semestre de 2026. A informação foi divulgada pelo secretário de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias, Pedro Bruno, em uma coletiva de imprensa na quarta-feira (11/3). Essa é a terceira vez que o cronograma do projeto é adiado, evidenciando a complexidade do processo.
Inicialmente agendadas para 2023, as intervenções foram remarcadas para o segundo semestre de 2025, e, posteriormente, para a primeira metade de 2024. A judicialização do licenciamento ambiental, que ocorreu em virtude de um pedido de comunidades quilombolas de Contagem, localizadas próximas ao traçado, é a principal causa dos atrasos. Uma decisão do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) acatou a solicitação dessas comunidades, com o argumento de que o governo estadual não contou com a participação delas na elaboração do projeto.
Busca por soluções e próximos passos
Pedro Bruno destacou que, embora haja uma expectativa de iniciar as obras ainda neste ano, isso dependerá do desfecho judicial que está sendo aguardado. Para tal, uma audiência de conciliação está agendada para o fim deste mês, com o intuito de encontrar um entendimento que permita o avanço dos trabalhos. “Precisamos de uma decisão judicial. Caso recebamos um parecer favorável, nosso objetivo é dar início às obras no segundo semestre deste ano”, afirmou o secretário.
No entanto, mesmo se os trabalhos começarem conforme o planejado, a finalização do Rodoanel ainda é uma incógnita. Bruno mencionou que o término das obras deve levar anos para ser concluído. Ele traçou um paralelo com a construção do Rodoanel de São Paulo, que começou no final dos anos 1990 e, até hoje, ainda apresenta trechos em construção, além de citar o exemplo do Contorno Viário de Florianópolis, que levou cerca de 15 anos para ser finalizado.
Desafios da construção em região densamente povoada
O secretário ressaltou que construir uma rodovia de 70 quilômetros em uma área tão densamente habitada como a Região Metropolitana de Belo Horizonte não é tarefa simples. “Empreendimentos dessa magnitude exigem resiliência e um esforço considerável”, comentou Pedro Bruno, alertando sobre os desafios que a obra enfrentará ao longo de sua execução.
Impactos e discussões sobre o projeto
A apresentação dos novos prazos ocorreu durante um fórum realizado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), que teve como objetivo discutir o impacto e as perspectivas relacionadas ao Rodoanel. O evento contou com a participação de representantes da Rodoanel BH, a concessionária encarregada do projeto, além de trabalhadores e sindicatos do setor industrial.
Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, enfatizou a importância do início das obras para melhorar a segurança no Anel Rodoviário de Belo Horizonte. Segundo estimativas, a implementação do Rodoanel poderá retirar cerca de 5 mil caminhões da capital diariamente, contribuindo para a redução do tráfego e do congestionamento. Roscoe também destacou que, do ponto de vista industrial, a construção da rodovia tem o potencial de aumentar os investimentos na região metropolitana.
