Briga e Consequências Legais no Clássico Mineiro
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) requisitou informações à Polícia Civil sobre o inquérito relativo à briga que ocorreu entre os jogadores de Cruzeiro e Atlético-MG, no último domingo (8), durante a final do Campeonato Mineiro, realizada no Mineirão, em Belo Horizonte. O incidente, que resultou na expulsão de 23 atletas, está sendo avaliado também sob a ótica da possível responsabilização criminal.
Segundo informações de O Tempo, o pedido formal foi protocolado nesta quarta-feira (11) pelo promotor de Justiça Giovani Avelar Vieira, que é o coordenador do Grupo de Intervenção Estratégica de Segurança Pública (GIE-Torcidas). O ofício enviado ao órgão policial solicita esclarecimentos sobre as ações que foram ou estão sendo tomadas, a confirmação da abertura do inquérito e o status das diligências até o momento.
A Promotoria ressaltou que os acontecimentos durante o clássico extrapolaram os limites normais de uma disputa esportiva e podem, em teoria, ser classificados como crime de rixa, conforme prevê o artigo 137 do Código Penal. Essa legislação considera crime a participação de três ou mais indivíduos em uma briga com agressões mútuas, com pena que pode variar de 15 dias a dois meses de detenção ou multa.
No ofício, o Ministério Público enfatiza que as agressões entre os atletas das duas equipes geraram uma ampla cobertura midiática, com repercussão internacional. Além disso, os fatos foram registrados na súmula da partida, redigida pelo árbitro Matheus Candançan, que documentou a expulsão de 23 jogadores ao término do embate.
Na análise dos cartões vermelhos, pelo Cruzeiro, foram expulsos os jogadores Christian, Fabrício Bruno, Lucas Romero, João Marcelo, Kauã Prates, Lucas Villalba, Cássio, Matheus Henrique, Walace, Fagner, Gerson e Kaio Jorge. Já pelo Atlético-MG, as expulsões ocorreram com Everson, Renan Lodi, Gabriel Delfim, Junior Alonso, Alan Franco, Hulk, Lyanco, Ruan Tressoldi, Alan Minda, Preciado e Cassierra.
A Polícia Civil, por sua vez, comunicou à imprensa que instaurou um procedimento para investigar a briga que teve início nos minutos finais da partida decisiva. A apuração considera não só os relatos contidos na súmula do árbitro, mas também imagens e vídeos que capturaram o tumulto. A análise desses materiais pode ajudar na identificação de outros envolvidos, além dos jogadores que já receberam cartão vermelho.
Após finalização das diligências, o inquérito será enviado ao Ministério Público, que terá a responsabilidade de decidir se apresentará uma denúncia contra os possíveis envolvidos ou se o caso será arquivado. Caso uma acusação seja formalizada, o processo será submetido à Justiça comum, dado que se trata de um crime previsto no Código Penal. Além disso, o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) prevê sanções esportivas, como penalidades que podem levar a suspensões em várias partidas, para atletas que se envolvem em agressões ou confusões durante competições oficiais.
