Técnica de Cirurgia Micrográfica de Mohs: Uma Revolução no Tratamento do Câncer de Pele
A cirurgia micrográfica de Mohs tem se consolidado como uma das abordagens mais eficazes para o tratamento do câncer de pele, especialmente em casos de maior risco e nas regiões mais delicadas do rosto. Com uma precisão notável, essa técnica apresenta índices de cura que superam os da cirurgia convencional. O grande diferencial do procedimento é a análise das margens cirúrgicas, que ocorre em tempo real, garantindo uma remoção quase total do tumor já na primeira intervenção.
Em contrapartida, a excisão tradicional analisa apenas amostras pequenas das bordas retiradas, o que pode comprometer a eficácia do tratamento. Como explica Dr. Carlos Barcaui, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), “a cirurgia de Mohs examina toda a extensão da margem ao microscópio, reduzindo significantemente o risco de recidiva e preservando o máximo possível de tecido saudável, principalmente em áreas como pálpebras, nariz e lábios”.
Resultados Excepcionais e Preservação Tecidual
A cirurgia de Mohs é especialmente recomendada para carcinomas basocelulares e espinocelulares de alto risco, bem como para tumores recorrentes ou com limites mal definidos. As taxas de cura podem ultrapassar 99% em certos casos, além de apresentarem índices reduzidos de progressão da doença. Outro benefício significativo é a preservação do tecido, que resulta em cicatrizes menores e menos complexidade nas reconstruções.
“No tratamento do câncer de pele, a prioridade é a remoção completa do tumor, mas sempre buscando preservar o máximo de tecido saudável possível. A técnica de Mohs combina segurança oncológica com precisão cirúrgica, traduzindo-se em menores taxas de recorrência e maior conforto para o paciente”, destaca Dr. Glaysson Tassara, coordenador do curso de cirurgia micrográfica de Mohs da SBD.
Capacitação e Expansão do Acesso à Técnica
Com o intuito de expandir o acesso e atualizar os conhecimentos dos especialistas, a Sociedade Brasileira de Dermatologia promoveu, nos dias 5 e 6 deste mês, um Curso Teórico de Cirurgia Micrográfica de Mohs, seguido pelo III Simpósio de Oncologia. Esses eventos reuniram dermatologistas de diversas partes do Brasil para discussão de casos complexos e novas tecnologias aplicáveis ao câncer de pele. Além das atividades formativas, a SBD disponibiliza serviços de dermatologia em várias cidades, capacitando novos cirurgiões de Mohs.
O treinamento para a técnica geralmente dura um ano. A SBD oferece dois cursos anuais que cobrem conteúdo teórico e prático para dermatologistas em formação, assim como para a reciclagem de cirurgiões já atuantes. Durante o curso, os profissionais aprendem sobre os aspectos da cirurgia, histologia dos tumores e técnicas de reconstrução, recebendo um certificado de Cirurgião de Mohs ao final do treinamento, que atesta a qualidade e a competência na aplicação da técnica.
A Importância da Capacitação para o Tratamento do Câncer de Pele
O câncer de pele é o mais comum no Brasil, e garantir que os dermatologistas estejam capacitados nas técnicas mais modernas e eficazes é fundamental para a proteção dos pacientes e a melhoria da qualidade do atendimento. “A formação contínua é uma maneira concreta de elevar o padrão de assistência”, afirma Dr. Carlos Barcaui.
Embora a cirurgia micrográfica de Mohs ainda não esteja amplamente disponível na rede pública, é oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em centros de referência e hospitais universitários com estrutura especializada e equipes capacitadas. Para conferir os serviços credenciados pela SBD, que incluem instituições como o Hospital das Clínicas da USP, entre outros, é possível acessar o site da entidade.
A forma de acesso à cirurgia na rede pública pode variar de acordo com o estado e a instituição, seguindo, de modo geral, o fluxo padrão do SUS. No caso do Hospital das Clínicas da UFMG, por exemplo, o paciente precisa ser encaminhado por um centro de saúde de Belo Horizonte ou pelas secretarias municipais de saúde das cidades do interior de Minas Gerais. Após consulta e confirmação da necessidade cirúrgica, o paciente estará apto a realizar a cirurgia micrográfica de Mohs.
