Exoneração e Consequências de um Crime Chocante
Um policial penal foi demitido após ser acusado de assassinar um homem em uma loja de jogos de azar, localizada no bairro Copacabana, em Belo Horizonte. A decisão foi oficializada no Diário Oficial de Minas Gerais em 21 de fevereiro, quase um ano e oito meses após o crime, que ocorreu em junho de 2024. O julgamento do caso ainda se encontra em andamento. A vítima, apenas 24 anos, foi fatalmente alvejada e morreu no mesmo local do incidente.
De acordo com o decreto de exoneração assinado pelo secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco, o policial continuou sua atuação na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de BH, mesmo após o homicídio. A demissão foi resultado de um Processo Administrativo Disciplinar que foi instaurado pela pasta na época do crime. O triste episódio ocorreu na noite de 28 de junho de 2024, e o réu apresentou-se à polícia apenas quatro dias depois, porém, não foi detido.
Câmeras de segurança do estabelecimento registraram o momento em que o policial disparou contra a vítima. Segundo o boletim de ocorrência, uma discussão entre o réu e a vítima teve como causa uma suposta situação de assédio envolvendo a filha de 17 anos do policial. A família ficou revoltada ao saber que a adolescente estava sendo assediada pela vítima, que a contatava insistentemente para marcar encontros.
A mãe da jovem, instantes antes do crime, tentou esclarecer a situação com a vítima, resultando em uma troca acalorada de palavras. O registro da polícia também menciona que a mãe foi desrespeitada durante a conversa, e essa desavença acabou se tornando a motivação para o ataque armado perpetrado pelo policial, que trabalhava com a manutenção de máquinas caça-níqueis no local. Durante a operação policial no local do crime, foram apreendidas 16 máquinas de jogos de azar.
Ameaças e Implicações Legais
Na ocasião, em uma entrevista ao jornal O Tempo, a advogada do acusado, Kênia Ferreira, afirmou que a filha do policial havia revelado que a vítima a abordou com propostas sexuais desde maio. Segundo a defensora, a situação tornou-se tensa quando, após a negativa da adolescente, a vítima ameaçou estuprá-la.
“Uma das propostas foi feita pessoalmente por ele. Ao receber um não, ele ficou nervoso e disse que a ‘sorte dela era que ele estava com a Ana (amiga da adolescente) e que, se não estivesse, ele faria com que ela quisesse’”, declarou Kênia Ferreira. As ameaças de assédio e a troca de insultos culminaram em um desfecho trágico.
Além disso, a advogada contou que, após o homicídio, a família do policial passou a receber ameaças através das redes sociais. Um perfil, inclusive, fez uma postagem oferecendo recompensa por informações sobre o paradeiro do então agente penitenciário. O clima de tensão e os desdobramentos desse caso repercutiram em toda a comunidade, levantando discussões sobre assédio e a resposta da segurança pública diante de ações de violência.
