Maria Lima: Uma Gestão Marcante e Controversas Legais
A ex-síndica do Edifício JK, Maria Lima, faleceu aos 78 anos. A notícia da sua morte veio após sua internação em agosto de 2025 no Hospital Felício Rocho, localizado no Barro Preto, região Centro-Sul da capital mineira. Em novembro do mesmo ano, ela foi afastada de forma permanente do cargo devido a problemas de saúde que a impossibilitaram de retomar suas funções.
O velório de Maria Lima ocorrerá neste sábado (14), a partir das 13h, no cemitério Bosque da Esperança, no bairro Jaqueline, na zona Norte de Belo Horizonte. Sua partida marca o fim de uma era para o condomínio, onde ela exerceu suas funções por aproximadamente quatro décadas.
Controvérsias na Administração do Condomínio
Desde a internação de Maria, a administração do Edifício JK foi assumida por Manoel Gonçalves de Freitas Neto, que até então ocupava o cargo de vice-síndico. Em setembro de 2025, ele foi eleito como síndico, mas sua eleição gerou discórdia entre os moradores. Muitos questionaram a legitimidade do processo, alegando que o novo síndico não apresentou documentação comprobatória dos votos que recebeu. Apesar das contestações, Manoel se defendeu, afirmando que não havia ilegalidades em sua eleição.
Em fevereiro de 2026, Manoel e o condomínio enfrentaram um revés judicial. A Justiça de Minas Gerais condenou o Edifício JK e seu novo síndico por crimes ambientais, apontando falhas na conservação do prédio tombado e riscos ao acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG), que ocupa o local. A condenação resultou em uma multa de R$ 300 mil, valor que deverá ser destinado a uma entidade pública de cunho ambiental ou cultural, conforme determinação judicial.
Além disso, Manoel Gonçalves foi condenado a três anos, um mês e nove dias de pena em regime aberto, que foi convertida em serviços comunitários, além de uma multa correspondente a dois salários mínimos.
Uma Trajetória de Dificuldades e Reconhecimento
Maria Lima, durante sua longa gestão, se tornou uma figura central na história do Edifício JK, acompanhando diversas fases, incluindo o processo de tombamento do patrimônio cultural. Sua saída, no entanto, foi marcada por disputas judiciais e críticas de moradores em relação à administração. Em 2024, o Ministério Público chegou a apresentar denúncias sobre a conservação do prédio, evidenciando problemas estruturais e a falta de documentos essenciais, como o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).
Os desafios na gestão de Maria não pararam por aí. Em 2021, um grupo de moradores tentou anular na Justiça a assembleia que reelegera a síndica. A tradutora Julieta Boedo, que concorria contra ela, alegou que Maria teria exigido uma caução de R$ 4 milhões para permitir a participação da chapa oponente, o que gerou ainda mais controvérsia e descontentamento entre os condôminos. Na época, a defesa de Maria Lima negou qualquer irregularidade, afirmando que os moradores não apresentaram competência para formar uma chapa contrária.
A história de Maria Lima é marcada pela dedicação ao Edifício JK e pelos desafios enfrentados ao longo de sua administração, refletindo as complexidades da gestão de um patrimônio histórico e cultural em Belo Horizonte.
