Protestos em Belo Horizonte e Mobilização da Categoria
A greve dos profissionais da educação pública em Minas Gerais entra em um novo estágio nesta segunda-feira, 16 de março. Em Belo Horizonte, estudantes e educadores tomaram as ruas, com manifestações marcantes no Barreiro e na Praça Sete. O objetivo é chamar a atenção para o descaso enfrentado pela categoria e exigir respostas do governo de Romeu Zema (Novo).
Essas mobilizações, que contam com o apoio da União Colegial de Minas Gerais (UCMG) e de diversos sindicatos, buscam aumentar o diálogo com a sociedade sobre as precárias condições de trabalho e a defasagem salarial que afeta a rede estadual de ensino.
Reivindicações e Continuidade da Greve
Após uma assembleia realizada no pátio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), os trabalhadores decidiram manter a greve que teve início no dia 4 de março. O principal ponto de pauta é a recomposição salarial de 41,83%, correspondente às perdas acumuladas entre 2019 e 2025. Denise Romano, coordenadora do Sind-UTE/MG, expressou sua indignação em redes sociais, ressaltando a discrepância entre os aumentos salariais da cúpula do governo e a situação dos educadores: “A responsabilidade por esta greve é de Zema e Matheus Simões, que tiveram 300% de reajuste, enquanto impõem à educação o pior salário do Brasil”.
Além do reajuste imediato para professores ativos, contratados e aposentados, retroativo a janeiro de 2026, a categoria também exige o cumprimento do reajuste do Piso Nacional (Portaria nº 82 do MEC), o pagamento de verbas retidas e a promoção por escolaridade, além da nomeação de aprovados em concursos públicos.
Precarização do Trabalho e Privatização do Ensino
Dados do Sind-UTE/MG revelam uma realidade preocupante: aproximadamente 80% dos educadores mineiros enfrentam vínculos de trabalho precários, colocando Minas Gerais entre os estados com maior precarização docente no Brasil.
Outro aspecto importante da greve é o combate à privatização do ensino público. O sindicato exige a suspensão do leilão de 95 escolas estaduais, marcado para o dia 25 de março na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo. Para os manifestantes, essa medida representa uma ameaça à qualidade do ensino público e pode abrir portas para a terceirização excessiva.
Próximas Ações e Continuidade das Mobilizações
O movimento de greve está determinado a persistir. O Comando Estadual de Greve já delineou as próximas ações da mobilização:
- Terça-feira, 17: Audiência pública sobre a campanha salarial.
- Quarta-feira, 18: Nova assembleia geral para discutir os próximos passos da paralisação.
Até o fechamento deste relatório, o Governo de Minas Gerais não havia se pronunciado sobre o andamento das negociações ou as críticas feitas pelos educadores. O espaço está aberto para futuras declarações oficiais.
