Renovação do Contrato: Um Marco para a Privatização
Às vésperas de sua oferta de ações, que visa privatizar a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), um aspecto crucial ainda permanece em aberto: a renovação do contrato com a prefeitura de Belo Horizonte. Como maior cliente da Copasa, os termos desse acordo não são apenas essenciais para a empresa, mas também podem servir como referência para outros municípios do estado. Companhias como a Sabesp têm ressaltado publicamente a relevância desse contrato para sua avaliação da Copasa.
O cronograma original do governo de Romeu Zema previa que a privatização ocorresse até o final deste primeiro trimestre, antes do início do período pré-eleitoral. Em uma corrida contra o tempo, a gestão da Copasa tem realizado diversas reuniões nas últimas semanas, tanto com a prefeitura de Belo Horizonte quanto com outros municípios mineiros. Os novos contratos exigirão a inclusão de metas de universalização, uma contrapartida que o governo do estado deseja, semelhante ao que foi feito pela Sabesp em São Paulo.
Negociações em Fase Avançada
A presidente da Copasa, Marília Carvalho de Melo, comentou durante uma teleconferência sobre os resultados do 4º trimestre de 2025 que a renovação do contrato com a capital mineira se encontra na “fase final de trâmites”, embora até o momento não haja novidades concretas. “Estamos dialogando com todos os municípios. Definimos uma frente estratégica com os 80 principais”, afirmou. A estatal atende 636 municípios em Minas Gerais e busca também incluir contratos de esgoto em localidades onde atualmente oferece apenas fornecimento de água.
O CEO da Sabesp, Carlos Piani, reiterou na última sexta-feira, 18, que a empresa tem interesse em adquirir a Copasa, mas enfatizou que a definição do contrato de Belo Horizonte será fundamental para a avaliação do negócio. Para ele, o formato da licitação pode ter um papel importante, podendo beneficiar mais o mercado em geral ou investidores específicos.
Segundo Piani, o avanço do processo tem sido lento, especialmente nas negociações relacionadas à concessão da capital mineira, que representa cerca de 40% da receita da Copasa.
Comparações com o Modelo de São Paulo
O CFO da Sabesp, Daniel Szlak, fez uma comparação com a situação de São Paulo, onde, após a privatização, 371 dos 375 municípios aderiram a um consórcio com regras unificadas. Em Minas Gerais, no entanto, a Copasa não seguiu esse modelo. Szlak salientou que o contrato com Belo Horizonte poderá servir de modelo para futuras renovações contratuais em outros municípios. “Quanto mais claras forem as regras, mais fácil será atribuir valor ao negócio e tomar decisões mais assertivas”, comentou em entrevista à Broadcast.
A análise do setor é compartilhada por especialistas, como o analista Rafael Dias, da BB Investimentos, que afirma: “A última definição relevante pendente para destravar o processo é a negociação da prorrogação do contrato de serviços com a capital Belo Horizonte.”
O Valor do Contrato e Seus Impactos
Conforme o advogado Victor Hugo Scandalo Rocha, da Rocha & Rocha Advogados, o contrato de concessão de Belo Horizonte está no centro das discussões acerca do valor da companhia. “Qualquer indefinição sobre o modelo regulatório ou sobre os termos de renovação impacta diretamente as projeções de fluxo de caixa futuro. Sem uma análise clara e um processo licitatório estruturado, o risco percebido aumenta e tende a desestimular investidores estratégicos, como a Sabesp.”
A privatização da Copasa promete ser um marco, abrindo caminho para grandes ofertas de ações na Bolsa brasileira, especialmente no setor de saneamento. Estima-se que a operação poderá movimentar entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões, segundo fontes do setor.
O modelo proposto para a privatização é semelhante ao de uma oferta subsequente de ações (follow-on) utilizada pela Sabesp em 2024 e prevê a entrada de um investidor estratégico, que poderá adquirir até 30% da empresa mineira. Além da Sabesp, outros possíveis investidores incluem a Aegea, Equatorial, Veolia e fundos de infraestrutura como o Perfin e o canadense CPP, que já investem na Copasa.
Questionada sobre a situação, a Copasa informou que atualmente se encontra em um período de silêncio e, portanto, não pode se manifestar ou conceder entrevistas que possam influenciar a análise de investidores ou afetar a paridade de informações no mercado.
