Greve na Fhemig e adiamento de cirurgias
A greve dos servidores da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), que teve início na terça-feira (17), resultou no adiamento de mais de 30 cirurgias eletivas em hospitais da rede de Belo Horizonte. Apesar da paralisação, as cirurgias de emergência continuam a ser realizadas normalmente. Até o final da quarta-feira (18), foram reportadas 23 cirurgias adiadas no Hospital João XXIII e 8 no Complexo de Especialidades, que abrange as unidades Júlia Kubitschek e Alberto Cavalcante.
Em nota, a Fhemig assegurou que está monitorando a situação de perto e tomando as providências necessárias para garantir a regularidade dos serviços hospitalares. A fundação reiterou seu compromisso com a qualidade da assistência oferecida à população do Sistema Único de Saúde (SUS).
Motivos da greve dos servidores
Os trabalhadores da Fhemig entraram em greve por tempo indeterminado, manifestando insatisfação em relação à política salarial do governo de Romeu Zema (Novo), que segundo eles, não atende às expectativas. Além das reivindicações por um salário justo, a categoria também reclama da sobrecarga de trabalho e das perdas salariais acumuladas nos últimos anos. A mobilização está concentrada em frente ao Hospital João XXIII, no Centro de Belo Horizonte, a partir das 10h diárias.
Carlos Martins, presidente da Associação dos Trabalhadores em Hospitais de Minas Gerais (Asthemg) e do Sindicato dos Trabalhadores da Rede Fhemig (Sindpros), destacou que a greve foi motivada pela ausência de valorização dos profissionais. O reajuste salarial proposto pelo Executivo, de 5,4%, é considerado insuficiente, tendo em vista a inflação e a realidade econômica atual.
“Além disso, estamos enfrentando reduções em nossos salários devido a descontos indevidos. Por exemplo, temos que arcar com os custos da alimentação durante os plantões, mas esses valores são descontados nos contracheques, mesmo quando estamos em férias. Existem ainda trabalhadores de Sete Lagoas que, desde janeiro, não recebem vale-transporte, cujo custo para eles chega a R$ 1,8 mil”, explicou Carlos ao portal BHAZ.
Condições de trabalho e adoecimento dos profissionais
O diretor sindical também mencionou que outro ponto crítico da greve são as condições de trabalho. Nos últimos dois anos, os servidores têm enfrentado uma carga de trabalho excessiva. Embora a Fhemig tenha convocado novos concursados, a realidade é que ainda existe um déficit significativo de profissionais nas unidades de saúde.
“Os hospitais estão exigindo cada vez mais dos trabalhadores. Isso não só gera adoecimento entre nós, mas também compromete a qualidade do atendimento aos pacientes. Recentemente, fomos obrigados a trabalhar em dias de folga devido à redução do mês, o que gerou uma carga horária impossível de ser cumprida. Quem não compareceu sofreu descontos salariais e punições”, contou.
Além disso, Carlos também criticou as falhas no novo sistema de gerenciamento eletrônico da Fhemig, que teria trazido prejuízos diretos à assistência aos pacientes. “Estamos enfrentando problemas com falta de internet e computadores, afetando a administração de medicamentos essenciais. Há pacientes, inclusive em estado grave, que ficam sem tratamento porque o sistema não funciona adequadamente”, afirmou.
Necessidade de melhorias na infraestrutura
As condições das unidades hospitalares também estão em pauta. Carlos denunciou que, em Barbacena, a falta de cobertura adequada entre a entrada do hospital e o local de embarque de pacientes durante períodos chuvosos leva a situações críticas. “Em dias de chuva, temos que improvisar, segurando guarda-chuvas ou atrasando atendimentos, o que é inaceitável”, ressaltou o dirigente.
A Fhemig, por sua vez, afirmou que está atenta às necessidades apresentadas pelos servidores e mantém canais de comunicação abertos para dialogar sobre as demandas. “Nossas equipes estão trabalhando para reorganizar os fluxos e assegurar a continuidade dos serviços, garantindo que a assistência à população seja mantida”, destacou a fundação.
Escala de atendimento durante a greve
Apesar da greve, Carlos afirmou que as unidades da Fhemig continuarão operando em uma escala mínima, assegurando, assim, a assistência aos pacientes. “Estamos mantendo 100% da equipe em setores essenciais, como a UTI e cirurgias de emergência. Entretanto, em situações não críticas, aplicamos uma redução de até 50% na equipe”, concluiu.
