Sem Avanços na Justiça, Recursos do Rodoanel Podem Ser Redirecionados
O Rodoanel Metropolitano de Belo Horizonte enfrenta sérios desafios que podem resultar no abandono do projeto por parte do Governo de Minas Gerais. Com atrasos acumulados e impasses judiciais, a continuidade da obra está em xeque. Caso não haja uma evolução nas decisões legais nas próximas semanas, o governo poderá redirecionar os R$ 3 bilhões do Acordo de Reparação de Brumadinho para outros projetos, como a expansão do metrô na capital mineira.
A declaração foi feita pelo governador Mateus Simões após uma audiência no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), em Belo Horizonte. A audiência se relaciona a uma ação proposta pela Federação das Comunidades Quilombolas do Estado, que destaca impactos em seis territórios, tornando o projeto inviável na sua forma atual.
Simões expressou sua preocupação com o fato de que a obra, que tinha previsão de início no ano passado, ainda esteja parada, o que afeta diretamente a vida da população e a segurança nas vias de tráfego. Com a situação complexa, o governador indicou que a revisão da destinação dos recursos pode ser a saída para alavancar outras iniciativas de infraestrutura, como a expansão das Linhas 1, 3 e 4 do metrô de Belo Horizonte.
Expectativas e Impasses Legais
O governador reforçou que as obras do Rodoanel não são de responsabilidade direta do estado e considerou “inviável” a realização de uma nova consulta às comunidades exigida por grupos de interesse. Em resposta às incertezas em torno do projeto, a concessionária encarregada da obra comentou que aguarda a concessão da licença ambiental, que é de responsabilidade do estado, antes de se pronunciar sobre o andamento das ações governamentais.
Se as decisões forem favoráveis, o início das obras está previsto para o segundo semestre deste ano. O Rodoanel é um dos projetos mais audaciosos em termos de infraestrutura já planejados em Minas Gerais, com um traçado de cerca de 70 quilômetros envolvendo oito municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte, incluindo locais como Contagem, Betim, Ribeirão das Neves e Santa Luzia. O investimento total está estimado em R$ 5 bilhões, sendo R$ 3 bilhões do acordo de reparação e R$ 2 bilhões da concessionária responsável.
Impacto na Economia e Empregos
Embora o início das obras tenha sido agendado para outubro do ano passado, a execução foi adiada devido a dificuldades no licenciamento ambiental. As audiências realizadas até agora não mostraram progresso significativo. Se a situação se reverter, a expectativa é de que as obras aconteçam em várias frentes, priorizando as intervenções mais complexas, como a construção de pontes e viadutos, além de atividades de drenagem e terraplenagem que exigem grande volume de escavação.
De acordo com a concessionária, não será necessário realocar as comunidades quilombolas que estão localizadas nas proximidades do traçado. A concretização do Rodoanel em Belo Horizonte poderá estimular novos investimentos na região metropolitana e garantir a manutenção dos já existentes. Estima-se que a nova infraestrutura viária possa aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) da área em até 13% nos próximos dez anos, além de contribuir para um crescimento de 0,8% a 1,3% na produção econômica neste mesmo período, gerando cerca de 10 mil empregos durante a fase de construção.
