Senado em Foco: A Votação do Novo PNE
O novo Plano Nacional de Educação (PNE) está prestes a ser votado no Senado nesta quarta-feira, com a previsão de tramitar tanto pela Comissão de Educação quanto pelo plenário da Casa no mesmo dia. Essa votação representa a fase final antes do texto seguir para sanção presidencial, o que gera expectativas no cenário educacional brasileiro.
No contexto atual, apenas seis estados do Brasil não alcançaram a meta de alfabetização, enquanto um estudo aponta que conteúdos digitais destinados a crianças possuem níveis de toxicidade semelhantes aos encontrados em ambientes voltados para adultos.
Oposição e Propostas de Emenda
Em uma manobra similar à realizada na Câmara, a oposição tem buscado incluir a liberação do ensino domiciliar, conhecido como homeschooling, no projeto do PNE. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) apresentou 17 emendas, sendo uma delas a que permite que os pais ou responsáveis escolham entre a educação escolar tradicional e a educação domiciliar.
A emenda propõe que o homeschooling não seja visto como evasão escolar ou abandono intelectual, desde que sejam respeitados os parâmetros legais de acompanhamento e avaliação estabelecidos pelos sistemas de ensino. Contudo, essa abordagem encontra resistência entre diversos parlamentares, como a presidente da Comissão Especial da Câmara, Tabata Amaral (PSB-SP), que se posiciona contrária à medida.
Além disso, especialistas em educação criticam a inclusão do homeschooling no PNE, argumentando que a proposta não representa o caminho adequado para a liberação dessa modalidade educacional.
Caminhos para a Aprovação do PNE
O GLOBO apurou que a senadora Teresa Leitão (PT-PE) está em busca de um acordo entre os senadores para que apenas emendas de redação sejam incorporadas ao texto, ou seja, aquelas que realizam apenas ajustes sem alterar substancialmente o conteúdo.
Caso alguma emenda que modifique o projeto, como a do homeschooling, seja aprovada, o texto precisaria retornar à Câmara. É importante lembrar que o prazo para aprovação deste novo plano já foi prorrogado de 2024 para o final de 2025, e as metas estabelecidas ainda não foram cumpridas.
Outras Propostas em Debate
Além da emenda sobre homeschooling, outras propostas apresentadas por Damares Alves buscam alterar a meta de alfabetização, propondo que a alfabetização ocorra até o final do 1º ano do ensino fundamental, em comparação ao 2º ano estipulado na versão atual. Também se propõe a criação de diretrizes que promovam a inclusão de escolas especializadas e a ampliação da educação infantil através de convênios com instituições privadas, além do uso de voucher educacional.
Ainda, o PNE estabelece a utilização de critérios de aprendizagem com base em avaliações internacionais.
Objetivos do Novo PNE
O PNE é uma legislação que traça metas para a educação brasileira ao longo de uma década. O atual plano, criado em 2014, previa sua renovação em 2024, ano em que apenas quatro das 20 metas tinham sido parcialmente cumpridas, levando à prorrogação até dezembro deste ano.
Entre os principais pontos do novo projeto, destaca-se:
- Qualidade de Ensino: A proposta inclui a criação de metas que visam garantir que um número significativo de alunos atinja um nível de aprendizagem adequado em cada etapa escolar, substituindo as metas do Ideb.
- Nível Superior: O objetivo é aumentar a taxa de jovens de 18 a 24 anos cursando graduação para 40%, um incremento em relação ao patamar anterior de 33%.
- Meta de Alfabetização: A novo prazo para a alfabetização de crianças seria reduzido para o 2º ano do ensino fundamental, além da inclusão de objetivos em Matemática.
- Consciência Ambiental: O projeto foca na promoção de atividades relacionadas à educação ambiental e adaptações climáticas nas escolas.
- Educação Integral: A meta é aumentar a presença de alunos em tempo integral, com a perspectiva de atingir 65% nas escolas.
- Educação Digital: O plano estabelece metas para garantir conectividade em todas as escolas e formação adequada em áreas relacionadas ao pensamento computacional.
