Estudo Revela Potenciais Aumentos na Inflação Brasileira
Um agravamento no conflito no Oriente Médio pode elevar a inflação no Brasil em até 7,66%, conforme um estudo divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) nesta quarta-feira (8). O relatório aponta que o aumento nos custos de energia e insumos estratégicos será o principal responsável por essa elevação, refletindo de forma direta nas empresas e nos consumidores brasileiros.
A FIEMG ainda ressalta que as restrições ao comércio internacional, especialmente no Estreito de Ormuz, podem impactar severamente as cadeias produtivas, resultando em produtos mais caros no mercado interno. Essa combinação de fatores, segundo a entidade, exige atenção redobrada por parte de gestores e economistas.
Três Cenários Econômicos Propostos
No levantamento, a FIEMG estruturou três possíveis cenários de impacto econômico: moderado, severo e extremo, cada um assumindo diferentes níveis de interrupção nas exportações da região afetada. No cenário moderado, que prevê uma redução de 30% nas exportações, os efeitos são principalmente sobre os preços. Por outro lado, no cenário severo, com uma queda de 60%, os impactos se intensificam e se espalham por diversas cadeias produtivas.
O cenário extremo, que considera uma interrupção total das exportações, projeta efeitos abrangentes e mais profundos na economia global, destacando a amplitude das consequências do conflito sobre as economias dependentes de insumos e energia importados.
Inflação: A Principal Consequência no Brasil
Conforme aponta o estudo, a inflação deve se tornar o canal mais significativo de transmissão desses efeitos no Brasil. O encarecimento da energia e dos insumos intermediários se propaga ao longo das cadeias produtivas, resultando em aumentos projetados de até:
- 2,29% no cenário moderado;
- 4,60% no cenário severo;
- 7,66% no cenário extremo.
Enquanto isso, a atividade econômica deve não deve sofrer um impacto tão dramático, com uma retração prevista entre -0,04% e -0,12%, dependendo da gravidade da crise.
Setores Vulneráveis à Crise
Os setores mais suscetíveis a essa situação são aqueles que dependem fortemente de energia e insumos importados. A FIEMG aponta a indústria de transformação, transporte e logística, e a cadeia de fertilizantes e alimentos como os mais afetados. Isso significa que o aumento de custos pode, em última instância, ser repassado ao consumidor final, pressionando os preços em diversas áreas da economia.
Perspectivas e Efeitos Potenciais
O estudo também menciona algumas possíveis consequências positivas, como o aumento da arrecadação no setor petrolífero, que pode crescer até 5% em um ano. Contudo, a FIEMG enfatiza que esses ganhos pontuais não são suficientes para contrabalançar a pressão inflacionária ocasionada pelo choque externo.
Alertas de Especialistas Sobre os Custos
Em declaração, o economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio, apontou que o principal risco é o aumento generalizado dos custos. “O impacto para o Brasil ocorre predominantemente pelo canal de custos. Mesmo com efeitos relativamente limitados sobre a atividade, a inflação tende a subir de forma relevante, pressionando tanto empresas quanto consumidores”, destacou o especialista.
Ele também observou que em cenários extremos, as consequências podem prejudicar a competitividade industrial, exigindo atenção especial da política econômica. A instabilidade no Oriente Médio não afeta apenas o Brasil, mas também tende a desacelerar a economia global e aumentar a volatilidade dos mercados, o que pode reverberar em diversas economias ao redor do mundo, especialmente nas que são dependentes de energia importada.
