Desafios Financeiros e Incertezas Operacionais
A Oncoclínicas, importante rede de clínicas oncológicas no Brasil, divulgou nesta quinta-feira (9) um balanço alarmante, sinalizando um cenário de “incertezas significativas” em relação à sua continuidade operacional. O prejuízo líquido da empresa saltou de R$ 717 milhões em 2024 para R$ 3,6 bilhões em 2025, uma situação que levanta preocupações sobre a solvência da companhia no curto prazo.
Os diretores da Oncoclínicas atribuem essa queda drástica a uma série de fatores que impactaram a liquidez da empresa. Entre eles estão as perdas decorrentes de investimentos feitos no Banco Master, a inadimplência da Unimed-Ferj e uma redução nas receitas devido a uma revisão em sua política comercial.
Atualmente, a Oncoclínicas opera 146 unidades em 49 cidades brasileiras, que incluem clínicas de diagnóstico, laboratórios e centros integrados de tratamento do câncer, todos essenciais para o atendimento oncológico no país.
Auditoria e Incertezas na Continuidade Operacional
A Deloitte, responsável pela auditoria independente, reforçou a gravidade da situação ao apontar “incerteza relevante que pode levantar dúvidas consideráveis” sobre a capacidade de manutenção das operações da empresa. O relatório auditorial ainda destacou que a Oncoclínicas não conseguiu atingir os índices financeiros exigidos em contratos de empréstimos e debêntures, resultando em reclassificação de parte significativa de sua dívida.
O total da dívida líquida, somada a aquisições a pagar, alcançou R$ 2,9 bilhões ao final de 2025. Esse montante inclui uma provisão de perda de R$ 213,9 milhões relacionada a Certificados de Depósito Bancário (CDBs) mantidos junto ao Banco Master. A relação entre a dívida e o Ebitda era de 3,5 vezes, indicando um nível elevado de alavancagem financeira.
Renegociações com Credores e Novas Parcerias
Diante desse cenário complexo, a Oncoclínicas já iniciou conversas com seus credores para renegociar as dívidas, buscando um acordo que possibilite a estabilização das operações, além da recuperação da rentabilidade e da geração de caixa. A companhia também está em tratativas com a Unimed para receber parte de uma dívida de aproximadamente R$ 900 milhões, originada de um contrato com a Unimed-Ferj.
As ações da Oncoclínicas estavam em queda desde 2024, mas a situação piorou com os escândalos envolvendo o Banco Master, resultando em uma desvalorização de 68,7% ao longo dos últimos 12 meses. A empresa mantinha R$ 430,9 milhões em CDBs do Banco Master, cuja gestão está agora sob o controle do BRB (Banco de Brasília), criando um cenário de incerteza adicional sobre o futuro financeiro da companhia.
Expectativas de Mercado e Criação de Nova Empresa
O balanço da Oncoclínicas era amplamente aguardado pelo mercado, especialmente após a assinatura de termos de compromisso com o grupo Porto e o laboratório Fleury para a formação de uma nova empresa. A proposta inicial é que as duas entidades sejam minoritárias, detendo aproximadamente 30% da nova companhia, e que realizem um investimento de R$ 500 milhões por meio de uma holding.
Com a expectativa de levantar até R$ 1 bilhão com a venda de participações na nova empresa e a emissão de debêntures conversíveis em ações, a Oncoclínicas espera transferir parte de sua atual dívida operacional para essa nova entidade, embora isso dependa da aprovação dos credores.
Conforme apontado pela coluna Painel S.A., a magnitude da dívida da Oncoclínicas gera apreensão nas negociações em andamento. Contudo, do ponto de vista estratégico, a companhia é vista com bons olhos no mercado, uma vez que seus serviços de oncologia são altamente lucrativos dentro do setor de saúde.
Atualmente, a Oncoclínicas fornece cerca de 90% dos serviços de oncologia para a Porto, um dos maiores grupos de seguros e planos de saúde do Brasil. Essa nova parceria pode posicionar o Fleury como líder no segmento de cuidados ambulatoriais, reunindo serviços de diagnósticos e oncologia e, consequentemente, diversificando as operações e mitigando riscos financeiros futuros.
