Uma Noite de Música e Emoção
Se existisse um dicionário para personalidades da música, certamente o verbete de Luiz Caldas seria sinônimo de animação, energia e alto astral. Reconhecido como o pai do axé, o cantor, compositor e multi-instrumentista baiano tem uma trajetória marcada por performances vibrantes que elevam o público e afastam qualquer vestígio de monotonia.
Por essa razão, causa certo estranhamento vê-lo se apresentar em um formato mais contido. Neste sábado, dia 11 de abril, o artista sobe ao palco do Sesc Palladium com sua turnê “Voz e Violão”. Porém, essa proposta é uma verdadeira oportunidade para ele.
“Essa ideia me proporciona uma liberdade incrível para interpretar qualquer canção que deseje, além de me permitir cantar aquilo que realmente quero. É também uma chance de me conectar mais intimamente com o público, estar frente a frente, com um som mais suave, para que as pessoas se encantem e cantem comigo durante o show”, celebra Caldas.
Refletindo sobre essa nova abordagem, ele se surpreende ao perceber que a energia de seus shows mais elaborados ainda se mantém. “Isso já faz parte de mim”, resume. O artista ainda garante que não precisa se controlar no palco, pois direciona seu vigor para a criatividade.
“Muitas músicas que apresento são escolhidas no dia do show. No formato voz e violão, consigo montar arranjos na hora, com total espontaneidade. Isso também é resultado de eu ser multi-instrumentista, já que toco desde os 7 anos”, revela.
Nesse sentido, o repertório é uma verdadeira representação de sua versatilidade como instrumentista e cantor. “Começo sempre com alguma música clássica, instrumental, e então entro no cancioneiro nacional com músicas que, com certeza, vão tocar aquele cantinho especial no coração das pessoas. Essa é a essência do show”, explica.
Com mais de cinquenta anos de carreira, essa abordagem intimista proporciona a Luiz Caldas a liberdade para experimentar. “O público não acompanha apenas as minhas músicas, mas também tudo que eu me permito explorar como artista. Eu sempre provoquei o público, mas busco fazer isso de maneira agradável”, enfatiza.
Além disso, Luiz Caldas aproveita a ocasião para celebrar os 40 anos de “Magia”, álbum de 1985 que é considerado um marco inicial do axé. “O que realmente tem um significado positivo para mim é estar em lugares que amo, onde as pessoas respeitam o meu som. Belo Horizonte faz parte de um estado que respira boa música. Eu diria que Minas Gerais é o estado mais responsável pela harmonia e adornos que a música brasileira possui. Cada estado contribui de sua maneira, e Minas definitivamente cuida desse lado mais romântico, fazendo as pessoas se sentirem bem. Por isso, fico muito feliz em vir comemorar os 40 anos de um disco tão importante”, comemora.
