Tombamento do Conjunto Hidrotermal e Hoteleiro
Na última sexta-feira (10/04), o Governo de Minas Gerais oficializou o tombamento do Conjunto Urbano Hidrotermal e Hoteleiro de Poços de Caldas, reconhecendo sua importância como patrimônio cultural material do estado. Essa decisão foi tomada durante uma reunião do Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (CONEP), que ocorreu de forma híbrida, com a presença de membros no município e transmissão online.
Essa iniciativa faz parte do programa Governo Presente, que destaca Poços de Caldas como a capital simbólica de Minas Gerais por uma semana. O tombamento enfatiza a relevância histórica, urbana, paisagística e turística da cidade, cuja identidade está intrinsicamente ligada às suas famosas águas termais.
A decisão de tombamento é baseada em um dossiê técnico elaborado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG). O documento ressalta o papel fundamental do termalismo na formação e desenvolvimento urbano do município. Ao longo do século XVIII, com a exploração das águas termais, Poços de Caldas começou a se destacar como um importante destino de saúde e lazer.
Desde a abertura dos primeiros poços em 1826, a cidade se firmou como uma estância de saúde, atraindo visitantes em busca de bem-estar. A sua estrutura urbana foi cuidadosamente planejada, incorporando edifícios históricos, praças, parques e fontes que compõem a rica paisagem local.
O secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais ressaltou a singularidade de Poços de Caldas. Segundo ele, “é uma cidade que se desenvolveu a partir de um complexo hidrotermal e hoteleiro, onde arquitetura, paisagem e vocação turística estão interligadas. O tombamento é um reconhecimento dessa identidade moldada em torno de suas águas termais.” Ele acrescentou que essa proteção é essencial para preservar tanto as construções quanto a organização territorial que caracteriza a cidade como um referencial de turismo, saúde e cultura em Minas Gerais.
O conjunto tombado apresenta uma variedade de bens representativos de diferentes épocas, sendo a fase de maior crescimento urbano entre as décadas de 1930 e 1940 a mais notável. Entre os principais pontos de interesse estão o Palace Hotel, o Palace Cassino, as Thermas Antônio Carlos, o Parque José Affonso Junqueira e a Praça Pedro Sanches.
A proteção também se estende a diversos espaços públicos, incluindo praças, parques, monumentos, fontes e trechos de ribeirões urbanos, com diretrizes que visam à preservação da ambiência urbana e da paisagem cultural. O presidente do Iepha-MG, Paulo Roberto do Nascimento Meireles, afirmou que esta medida fortalece o patrimônio cultural como um motor de desenvolvimento sustentável.
“Em Minas Gerais, cidades como Poços de Caldas se afirmam como verdadeiros centros de saúde e turismo, e o tombamento do Conjunto Urbano Hidrotermal e Hoteleiro valida esse conceito ao reconhecer, proteger e valorizar um território onde história e vida urbana se entrelaçam. Mais do que uma formalidade legal, o tombamento é uma afirmação da importância do patrimônio para um futuro sustentável, assegurando que a cultura e a memória da cidade se mantenham acessíveis às próximas gerações”, concluiu Meireles.
