Hyldon e Sua Trajetória Musical
Hyldon, um dos grandes ícones do soul brasileiro, tem uma história de vida marcada por superações. Com apenas 8 anos, passou por um momento delicado quando um furúnculo surgiu em seu dedo indicador. No Hospital Antônio Pedro, em Niterói, o diagnóstico inicial foi alarmante: amputação. Contudo, sua mãe, Dona Ildonete, não hesitou e decidiu levar o filho para uma segunda opinião na Policlínica de Botafogo, onde, por sorte, receberam uma solução menos drástica. Para garantir a saúde do menino, ela fez uma promessa ao Senhor do Bonfim: se seu filho não perdesse o dedo, ela iria até Salvador para agradecê-lo.
Hoje, Hyldon reflete sobre esse episódio com bom humor, afirmando que sua música não seria a mesma se tivesse perdido o dedo, dado que os bordões do violão são parte fundamental do seu estilo. Nesta semana, o cantor retorna a Belo Horizonte em um evento especial, não só para comemorar seu aniversário, mas também para dividir o palco com grandes nomes da música.
O Show Imperdível e o Documentário
No dia 16 de abril, Hyldon participa do show de abertura da Semana Jazz Is Dead, que acontece no Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas. O evento contará com a presença do renomado compositor e produtor americano Adrian Younge e sua banda, além de Carlos Dafé, outro grande nome da música. No dia seguinte, 17 de abril, Hyldon celebra seus 75 anos e participa de uma sessão comentada do documentário “As dores do mundo: Hyldon”, que retrata sua trajetória e relevância na música brasileira.
Adrian Younge, que é um verdadeiro embaixador da Música Popular Brasileira (MPB) nos Estados Unidos, dirige o filme que dá início a uma série de exibições dedicadas à cultura negra e à música. O projeto Jazz Is Dead, fundado por Younge e Ali Shaheed Muhammad, do grupo A Tribe Called Quest, busca resgatar e valorizar artistas brasileiros, sendo que muitos deles, como Hyldon e Carlos Dafé, já têm uma carreira consolidada e admirada.
Jazz Is Dead e a Música Brasileira
A iniciativa Jazz Is Dead se destaca por suas gravações analógicas, que têm permitido o lançamento de novos discos de mestres da música. Vários artistas brasileiros têm se juntado a esse projeto, incluindo Azymuth, João Donato e Joyce Moreno. Neste contexto, Younge comentou sobre a importância de Hyldon para a música brasileira, destacando que muitas pessoas conhecem suas canções, mas não compreendem a grandiosidade de sua obra.
A parceria com Hyldon começou quando Younge procurou o cantor para um projeto nos Estados Unidos. Após um contato inicial, eles decidiram produzir um álbum juntos, que foi gravado em um estúdio analógico com a participação do falecido Ivan Conti, baterista do Azymuth. O resultado foi um trabalho que encantou Younge, que ficou impressionado com a qualidade das faixas criadas por Hyldon.
50 Anos de ‘Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda’
O álbum “Hyldon Jazz Is Dead 23” traz oito faixas e, até o momento, teve apenas uma apresentação ao vivo, em São Paulo. Entre as músicas do repertório, está a clássica “Na rua, na chuva, na fazenda”, que se tornou um marco em sua carreira e acompanha Hyldon há décadas. O cantor lembra com carinho que essa canção foi inspirada em Gioconda, uma amiga de juventude que conheceu na Ilha Madre de Deus, na Bahia. Apesar de seus caminhos terem se separado, a música permanece viva, e Gioconda é uma das personagens do documentário.
Detalhes do Evento e Mostra de Cinema
O show de Hyldon e os convidados acontece no Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas, localizado na Rua da Bahia, 2.244, Lourdes, com ingressos variando de R$ 63,75 a R$ 150, disponíveis na bilheteria e na plataforma Sympla. A mostra de cinema, que acontece entre os dias 17 e 22 de abril, inclui filmes que exaltam a cultura negra e a música, com sessões comentadas por diretores e artistas envolvidos. O acesso é gratuito, bastando retirar os ingressos na bilheteira uma hora antes de cada apresentação.
