Desafios para a ‘Times Square’ de Belo Horizonte
Um ano após a promulgação da lei que permite a instalação de painéis de tecnologia LED na praça sete, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) recebeu apenas três pedidos para análise, todos pendentes de aprovação pelo Conselho Deliberativo do patrimônio cultural do Município de Belo Horizonte (CDPCM-BH). Até o momento, não há uma data prevista para essa avaliação, gerando apreensão entre os interessados na proposta.
A legislação, que ficou popularmente conhecida como “Times Square”, voltou a ser debatida recentemente. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), compartilhou um vídeo ilustrando como seria a famosa Times Square nova-iorquina replicada na capital paulista, reacendendo o interesse pelo tema.
De acordo com a norma em vigor desde 8 de março de 2025, os painéis publicitários em Belo Horizonte devem seguir diretrizes específicas. Entre as regras, destaca-se a proibição de ultrapassar a altura mínima de 3 metros e a máxima de 40 metros em relação ao passeio público. Além disso, a área ocupada pelas peças não pode exceder 30% da fachada do prédio e a espessura deve ser limitada a 1,70 metros. A legislação também exige que os painéis veiculem, no mínimo, uma hora diária de conteúdo, distribuído em inserções de até 30 segundos cada. O planejamento da grade de veiculação precisa ser previamente aprovado pela administração municipal, incluindo hora, tempo de exibição e conteúdo.
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Localização e Resistências Enfrentadas
Os novos painéis poderão ser instalados nas esquinas do famoso Pirulito da Praça Sete, abrangendo o cruzamento das avenidas Amazonas e Afonso Pena com as ruas Rio de Janeiro e dos Carijós. No entanto, a aprovação do projeto não foi tranquila. Durante a tramitação na Câmara Municipal, a proposta enfrentou resistência significativa e, logo após ser aprovada, um abaixo-assinado, liderado por arquitetos locais, foi criado com o objetivo de barrar a nova legislação.
Além disso, em agosto do ano passado, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) levantou questionamentos sobre a iniciativa, expressando preocupações a respeito da preservação do patrimônio histórico na área, especialmente em relação ao edifício do antigo Banco Mineiro da Produção, que foi projetado por Oscar Niemeyer em 1953 e é considerado um ícone da arquitetura mineira.
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De forma a evitar conflitos com o MPMG, a Câmara Municipal enviou toda a documentação pertinente que comprova a vigência e a constitucionalidade da norma, buscando esclarecer os pontos que poderiam ser considerados controversos.
Comparativo com Outras Capitais Brasileiras
Não é apenas Belo Horizonte que mira a criação de seu próprio espaço iluminado. Nos últimos anos, diversas capitais brasileiras têm se engajado em uma espécie de competição para se tornar a primeira a ter uma “Times Square” nacional. Curitiba, por exemplo, se antecipou e, em outubro do ano passado, lançou seus primeiros telões no centro da cidade.
Por sua vez, São Paulo também está em processo de implementação de um espaço similar. A administração municipal oficializou, na semana passada, o projeto do Boulevard São João, que contará com a instalação de quatro painéis de LED na esquina das avenidas Ipiranga e São João, no centro da capital. A previsão é que esses equipamentos comecem a operar entre agosto e setembro de 2024. O governador Tarcísio de Freitas, que já demonstrou apoio à ideia, divulgou um vídeo gerado por inteligência artificial, mostrando como o centro de São Paulo poderia se transformar em uma versão local da icônica Times Square.
À medida que essas iniciativas avançam, o futuro da “Times Square” em Belo Horizonte ainda permanece incerto, dependendo da análise do conselho e da aceitação da população, que observa com expectativa o desenrolar dessa questão.
