Documentário sobre a realidade das trabalhadoras domésticas
Com a realidade de aproximadamente 5,9 milhões de trabalhadoras domésticas no Brasil, sendo 91,9% mulheres, o documentário “Aqui não entra luz” captura as histórias de vida de cinco mulheres que enfrentam desafios diários nesse segmento. Apresentando um panorama impactante, o filme da cineasta Karol Maia será exibido em uma sessão especial nesta sexta-feira (8/5) no UNA Cine Belas Artes, em Belo Horizonte, com a presença da diretora, da entrevistada Rosarinha e do curador do Museu Muquifo, Padre Mauro. A mediação será feita pela professora e pesquisadora Tatiana Carvalho.
O documentário aborda a realidade das trabalhadoras, com um olhar crítico sobre a arquitetura dos quartos de empregada, que remete à adaptação urbana de senzalas. “Fizemos uma pesquisa sobre os estados que mais receberam escravidão no Brasil – Maranhão, Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O objetivo era compreender como a moradia da população escravizada e dos escravocratas coexistiu nessa dinâmica, e como a arquitetura moderna se adaptou a essas realidades”, afirma Karol.
Histórias de resistência e superação
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Inicialmente, a diretora planejava que o foco do filme fosse a pesquisa histórica, mas o que acabou se destacando foram as narrativas das trabalhadoras. “As histórias de Rosarinha, Cris, Mãe Flor, Marcelina e Miriam representam trajetórias diversas, mas interligadas. Cada uma delas carrega relatos de sofrimento e superação, mostrando como encontraram orgulho em suas vidas”, destaca Maia.
Rosarinha compartilha momentos de lazer com a filha, como noites de jogos de cartas; Cris celebra o aniversário de uma de suas filhas com festas repletas de alegria; Mãe Flor orgulha-se de seus acessórios adquiridos ao longo dos anos, inspirada pela família que valoriza o luxo; enquanto Marcelina se destaca na administração de um condomínio que ajudou a construir. Miriam, por sua vez, teve uma filha que se tornou diretora de um documentário inspirado por sua trajetória.
O desafio da conexão familiar
No processo de gravação, Karol enfrentou uma situação delicada em relação à sua mãe, que não havia dado permissão para sua participação no filme. “Gravá-las sem a autorização da minha mãe foi uma experiência intensa. Busquei um elo entre minha história e a delas, e de certa forma, essas mulheres me acolheram”, relata a cineasta.
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O Brasil apresenta condições precárias no trabalho doméstico, onde, em muitos casos, as trabalhadoras não recebem seus salários, enfrentando além disso situações de assédio moral e físico. O documentário retrata a disparidade entre os pequenos quartos das empregadas e as mansões dos empregadores, um reflexo da desigualdade social.
Reflexões sobre dignidade e resistência
“Nunca fui trabalhadora doméstica, mas ouvir suas histórias me fez enxergar um Brasil devastador. O país pode ser imensamente cruel, principalmente com a população negra e feminina. No entanto, essas mulheres me ensinaram sobre dignidade”, reflete Karol Maia.
Uma das cenas mais impactantes do filme, segundo a diretora, é aquela em que a equipe compartilha uma refeição com Rosarinha. “Foi um momento especial. Rosarinha chegou a receber comida como pagamento, e ao preparar uma refeição farta, representa a generosidade mineira, que não permite que ninguém passe fome”, comenta. Essa cena simboliza a luta pela dignidade e o respeito próprio das trabalhadoras.
Detalhes da exibição
O documentário “Aqui não entra luz” (Brasil, 2025, 80 min.), dirigido por Karol Maia, será exibido no UNA Cine Belas Artes, na Sala 3, às 17h. A sessão especial na Sala 2 está marcada para às 20h10, seguida de um bate-papo com a diretora e convidados. No dia seguinte, no sábado (9/5), haverá uma sessão única às 20h30, no Cinema do Centro Cultural Unimed-BH Minas, localizado na Rua da Bahia, 2.244, Lourdes.
