Uma Viagem pela história Arquitetônica da Nova Capital Mineira
No final do século XIX, Belo Horizonte se transformava na nova sede administrativa de Minas Gerais. Para acompanhar essa mudança, a Comissão Construtora da Nova Capital (CCNC) foi responsável pelo planejamento e pela construção de um conjunto de 200 casas destinadas aos servidores públicos estaduais que deixavam Ouro Preto. Sob a liderança do arquiteto José de Magalhães, as habitações foram projetadas com diferentes tipologias, classificadas de A a F, variando em tamanho e decoração de acordo com os cargos dos ocupantes. As casas do tipo A eram voltadas para servidores de menor escalão, enquanto as do tipo F eram reservadas para os altos funcionários, como os secretários de Estado.
A construção dessas moradias teve início em março de 1896 e elas fazem parte das mais antigas residências da capital mineira. Muitas dessas casas ainda podem ser vistas no bairro que passou a ser conhecido como Funcionários, em homenagem a essa ocupação inicial. Durante décadas, o cenário do bairro foi emoldurado pela imponente Serra do Curral, que se tornou um símbolo de numerosas janelas, quintais e varandas.
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Fonte: ocuiaba.com.br
Com o passar dos anos, a importância histórica e arquitetônica dessas habitações chamou a atenção das autoridades. Em 1999, um conjunto arquitetônico foi criado para proteger cerca de 20 casas remanescentes da CCNC, reconhecendo-as como patrimônio cultural do município. Contudo, a ausência dos projetos originais, somada às várias modificações realizadas nos imóveis ao longo do tempo, dificultou a identificação das tipologias construtivas iniciais.
As casas mais simples, que se caracterizavam por seus tamanhos modestos e um menor número de janelas e portas, apresentavam volumes compactos, adornados com relevos geométricos em suas fachadas. A professora Heliana Angotti-Salgueiro, autora do livro “A Casaca do Arlequim – Belo Horizonte, uma Capital Eclética do Século XIX”, destaca que a geometrização dos ornatos nas fachadas estava alinhada a um estilo ornamental bastante comum em Paris na época. Assim, um dos traços distintivos das habitações da CCNC é a decoração das fachadas com formas geométricas como círculos, losangos e retângulos.
Para a inauguração da cidade, a CCNC não se limitou às residências dos funcionários públicos. Quatro palacetes foram construídos para abrigar os integrantes da cúpula administrativa do governo estadual. Esses casarões de grande porte e requinte arquitetônico serviam de moradia para as elites urbanas, incluindo famílias de políticos, grandes comerciantes e proprietários de terras.
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Fonte: agazetadorio.com.br
Entre esses imponentes palacetes, destacamos dois projetados pelo arquiteto Edgard Nascentes Coelho: os casarões destinados aos secretários de Finanças e do Interior. Ambas as construções fazem parte do conjunto das primeiras casas nobres da capital e impressionam pela sua escala, jardins frontais e pela rica ornamentação das fachadas em estilo Beaux-Arts.
O Palacete do Secretário das Finanças, localizado na Avenida João Pinheiro, esquina com a Rua dos Aimorés, é uma obra de estilo eclético, com uma fachada de inspiração neoclássica. Esse imóvel, um dos primeiros a ser tombados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) em 1975, abriga dois andares, uma escadaria frontal e varandas decoradas com elementos clássicos. Entre 1910 e 1936, o edifício abrigou a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte e, a partir de 1938, passou a ser ocupado pelo Arquivo Público Mineiro, com raízes em Ouro Preto.
Do outro lado, temos o Palacete do Secretário de Estado do Interior, que também foi inaugurado em 1897 e é uma construção em estilo eclético, igualmente de influência neoclássica. Este casarão, situado na Avenida João Pinheiro, n. 450, destaca-se pelo trabalho de pintura e ornamentação de Frederico Antônio Steckel, artista de origem alemã. Em 1906, o local passou a abrigar o primeiro grupo escolar da cidade, que foi nomeado Grupo Escolar Afonso Pena em homenagem ao importante político mineiro.
Os outros dois palacetes foram destinados ao secretário da Agricultura, que hoje abriga o Museu Mineiro, e ao Chefe da Polícia Militar de Minas Gerais, localizado na Rua Bernardo Guimarães, esquina com a Rua da Bahia. Essas construções representam uma parte significativa da história de Belo Horizonte e do legado deixado pela CCNC.
