Redução expressiva de beneficiários do Bolsa Família em Minas Gerais
Entre março de 2023 e maio de 2026, mais de 430 mil famílias em Minas Gerais deixaram de receber o Bolsa Família, conforme dados do governo federal. Só em maio deste ano, 18,7 mil famílias mineiras foram desligadas do programa, que tradicionalmente é conhecido por incluir novos beneficiários, mas também registra saídas significativas. A capital Belo Horizonte lidera o número de desligamentos no estado, com 1.560 famílias deixando o programa no período.
Motivos para o desligamento: emprego formal e aumento da renda familiar
O principal fator para essa redução é o aumento da renda familiar. Muitas dessas famílias conquistaram empregos com carteira assinada ou passaram a desenvolver atividades empreendedoras, o que eleva os rendimentos acima dos limites estabelecidos pela Regra de Proteção do programa. Além disso, o tempo máximo de permanência permitido no Bolsa Família também contribui para os desligamentos.
Em maio, depois de Belo Horizonte, Contagem aparece como o segundo município com mais desligamentos, totalizando 457 famílias. Uberlândia, Betim, Ribeirão das Neves e Juiz de Fora também registraram números expressivos, com desligamentos variando entre 299 e 425 famílias.
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Desligamentos no Bolsa Família em municípios mineiros (maio de 2026)
Belo Horizonte: 1.560 famílias
Contagem: 457 famílias
Uberlândia: 425 famílias
Betim: 409 famílias
Ribeirão das Neves: 360 famílias
Juiz de Fora: 299 famílias
Montes Claros: 250 famílias
Santa Luzia: 250 famílias
Governador Valadares: 210 famílias
Uberaba: 184 famílias
Panorama nacional e a Regra de Proteção do programa
No Brasil, mais de 5,1 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família entre março de 2023 e maio de 2026 por terem ampliado sua renda. São Paulo lidera o ranking estadual com 745,6 mil desligamentos, seguido pelo Distrito Federal, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Nas capitais, São Paulo também encabeça a lista, com 7.312 famílias saindo do programa em maio.
A atual versão do Bolsa Família conta com a Regra de Proteção, que permite uma transição gradual para as famílias que aumentam sua renda. Mesmo ultrapassando o limite de R$ 218 por pessoa, elas podem receber 50% do benefício por até 12 meses, desde que a renda per capita fique abaixo de R$ 706.
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Impactos positivos na inserção no mercado de trabalho
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, ressaltou que esses números refletem avanços na inclusão produtiva dos beneficiários. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), cruzados com o Cadastro Único, indicam que cerca de 80% das vagas formais criadas no primeiro trimestre de 2026 foram ocupadas por pessoas inscritas no CadÚnico.
Segundo o ministro, os resultados demonstram que os beneficiários buscam ativamente a inserção no mercado de trabalho, contestando a ideia de que não há interesse profissional entre os atendidos pelo programa. Um levantamento da FGV Social também mostrou que a renda do trabalho da população mais pobre cresceu 10,7% em 2025, acima da média nacional, impulsionada pela geração de empregos formais e pelos mecanismos de transição do Bolsa Família.
