Minas Gerais consolida liderança no consumo de fertilizantes especiais
Minas Gerais ampliou sua participação no mercado brasileiro de biofertilizantes e fertilizantes especiais, passando de 18,2% do faturamento em 2024 para 22% em 2025. Segundo o Anuário da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia para Produção Vegetal (Abisolo), esse avanço de 3,8 pontos percentuais recupera a queda observada nos dois anos anteriores, consolidando o estado como principal consumidor do setor no país.
O estudo da Abisolo também revela que a distância para o segundo colocado no ranking, São Paulo, aumentou de 1,5 ponto percentual para 6,3 pontos, já que a participação paulista caiu de 16,7% para 15,7%. Fertilizantes especiais são aqueles que possuem formulações diferenciadas, capazes de melhorar o desempenho das culturas agrícolas.
Fatores que impulsionam o mercado mineiro
Roberto Levrero, presidente do conselho deliberativo da Abisolo, atribui o desempenho de Minas a uma agricultura diversificada e tecnologicamente avançada, focada em cultivos que exigem manejo nutricional mais preciso, como café, grãos, frutas, hortaliças e sistemas produtivos intensivos. Ele ressalta que o estado tem dupla importância para o setor: além de ser o maior consumidor nacional de fertilizantes especiais, Minas também é estratégico na produção, concentrando cerca de 13% das empresas produtoras e importadoras registradas no país.
Dados da pesquisa da Abisolo, baseada no Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), indicam que Minas é o terceiro estado com maior número de empresas do setor, atrás apenas de São Paulo e Paraná. “Isso mostra que Minas combina demanda agrícola relevante, presença industrial e uma base produtiva que favorece a adoção de tecnologias para nutrição vegetal”, explica Levrero.
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Desempenho e desafios do mercado em 2025
O mercado mineiro teve desempenho expressivo em 2025 nos segmentos representados pela Abisolo, incluindo biofertilizantes, fertilizantes especiais, orgânicos, organominerais, condicionadores de solo e substratos para plantas. Esse resultado positivo contrasta com a queda de 5,5% no faturamento nacional desses produtos, que encerrou o ano em R$ 25,4 bilhões. O cenário econômico adverso, marcado por juros elevados, restrição de crédito e aumento dos custos de produção, não impediu que produtores mineiros mantivessem o investimento em tecnologias para aumentar a eficiência nutricional e a produtividade, minimizando riscos no campo.
Perspectivas para 2026 e tendências do setor
Para 2026, as expectativas para Minas Gerais e para o Brasil são otimistas, apesar dos desafios econômicos. No âmbito regional, a liderança do estado no consumo nacional e sua forte presença em culturas que demandam manejo nutricional de alta precisão sustentam a perspectiva positiva. No entanto, o desempenho dependerá de fatores como disponibilidade de crédito, custos de produção, câmbio, preços dos fertilizantes convencionais e rentabilidade das principais cadeias agrícolas.
Levrero destaca que as tecnologias que aumentam a eficiência no uso dos nutrientes, melhoram o desempenho fisiológico das plantas e reduzem riscos produtivos devem continuar ganhando espaço, pois os produtores tendem a preservar investimentos que tragam retorno comprovado e estabilidade na produção, mesmo em períodos difíceis.
No cenário nacional, o ambiente econômico permanece desafiador, com pressão sobre custos, crédito mais seletivo e incertezas sobre a rentabilidade de algumas culturas. Ainda assim, a indústria prevê crescimento em diversos segmentos: fertilizantes minerais especiais fluidos devem aumentar 21,2%; organominerais fluidos, 18,4%; minerais especiais sólidos, 13,4%; organominerais sólidos, 13,2%; e biofertilizantes fluidos, 12,8%.
O Anuário Abisolo 2026 também destaca o crescimento de 19,4% no segmento de condicionadores de solo de base orgânica, que faturou R$ 154 milhões em 2025, impulsionado pela recuperação dos preços médios. O mercado de substratos para plantas cresceu 22,8%, alcançando R$ 517,2 milhões, influenciado pela alta nos preços devido à escassez de matérias-primas importadas.
Entre as culturas, a soja manteve a liderança nas vendas de biofertilizantes e fertilizantes especiais, aumentando sua participação de 44,1% para 48,6%. O milho segue em segundo lugar, com 12,7%, apesar de uma leve retração, e o café cresceu de 9,6% para 11% de participação.
