O Crescimento do Café Especial em Minas Gerais
Minas Gerais, tradicionalmente conhecida por suas paisagens montanhosas e o famoso pão de queijo, vem ganhando um novo destaque no turismo rural: o café especial. Regiões produtoras como Caparaó e Alto Jequitibá apostam na verticalização da cadeia produtiva para agregar valor ao produto, impulsionar a renda dos agricultores e gerar novas oportunidades de negócios, especialmente no setor turístico.
Verticalização da Produção e Aumento da Renda
Na prática, a verticalização significa que os produtores rurais não vendem mais apenas os grãos crus, mas passam a realizar etapas como torra, moagem e criação de marcas próprias. Esse processo é apoiado pelo Programa de Verticalização da Cadeia Produtiva do Café, desenvolvido pela Emater-MG, que orienta famílias rurais em todas as fases, desde a produção até a comercialização direta.
Um exemplo claro dessa transformação está na propriedade da família de Luiza Lacerda, em Caparaó, na região das Matas de Minas. Eles investiram cerca de R$ 100 mil — recursos obtidos da própria venda dos grãos — para montar uma estrutura completa de torrefação e lançar a marca Os de Lacerda. Com uma produção anual de 200 sacas, a família conseguiu praticamente dobrar o retorno financeiro ao vender o café já torrado, alcançando até R$ 6 mil por saca, contra os R$ 3 mil a R$ 4 mil do grão cru.
Do Grão ao Consumidor Final
Antes, quando vendiam para torrefações e cafeterias, parte do valor da venda era absorvido pelos custos de transporte, industrialização e comercialização. Agora, com a marca própria, a receita fica majoritariamente dentro da propriedade, ampliando a margem de lucro e fortalecendo a economia local.
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Apesar de ainda comercializarem cerca de 80% da produção em grão cru, a equipe de Luiza, formada por oito pessoas, vem aumentando gradualmente a venda do café torrado. A demanda também é impulsionada pela participação em concursos, que destaca a qualidade do produto e atrai consumidores diretamente à propriedade.
Turismo Rural: Experiência e Renda Complementar
Além da produção, o café especial tem sido porta de entrada para o turismo rural. Na propriedade dos Lacerda, turistas são recebidos para vivenciar o processo completo da produção, desde a colheita até a degustação. Roteiros incluem passeios pela fazenda e experiências gastronômicas ligadas ao café, consolidando o produto como um atrativo turístico.
Em Alto Jequitibá, a família da produtora Silmara Emerick segue caminho similar com o projeto Café com Sonhos. Com apoio da Emater-MG e capacitação pelo Sebrae, eles desenvolveram um roteiro turístico que apresenta a torrefação, o processo de embalagem e oferece degustações na varanda da casa. A propriedade integra a Rota do Caparaó Mineiro, um circuito focado em turismo de experiência e cafés especiais.
Premiações e Expansão do Mercado
Antes restrita ao café convencional, a produção de Silmara mudou com os primeiros prêmios conquistados em concursos regionais e nacionais. Isso impulsionou a criação da marca Café da Silmara e a profissionalização do negócio, com os filhos assumindo a torrefação e o empacotamento. Um investimento na adaptação de máquinas, feito pelo marido Charles, aumentou a capacidade produtiva, ampliando a participação no mercado de cafés especiais, que já representa cerca de 30% da comercialização direta ao consumidor.
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O apoio técnico da Emater-MG foi fundamental para orientar desde a produção até a adequação das informações nos rótulos, garantindo qualidade e transparência. Silmara destaca que a principal vantagem da verticalização é manter dentro da propriedade a renda gerada em toda a cadeia produtiva, fortalecendo a sustentabilidade econômica da família e da região.
Impactos Econômicos Regionais
O crescimento do café especial em Minas Gerais não só eleva a renda dos agricultores como também fomenta o turismo rural, criando empregos e movimentando a economia local. A valorização do produto, associada à oferta de experiências autênticas, atrai consumidores dispostos a pagar mais por qualidade e vivência, gerando um ciclo virtuoso de desenvolvimento para as regiões produtoras.
Esse movimento demonstra como a inovação na cadeia produtiva pode transformar a realidade econômica de pequenas propriedades, ampliando oportunidades e garantindo maior estabilidade financeira para as famílias rurais.
Por Marina Rocha, que traduz impacto econômico para bolso, emprego, consumo e atividade regional, sem jargão financeiro desnecessário.
