Mulheres predominam entre os inadimplentes recorrentes em Minas Gerais
Um estudo recente da Assertiva, datatech brasileira especializada em inteligência de dados e análise de crédito, mostra que as mulheres são maioria entre os consumidores com dívidas recorrentes em Minas Gerais. De acordo com a pesquisa, 50,17% dos inadimplentes frequentes no estado são do sexo feminino, enquanto os homens representam 49,83%. O levantamento analisou 2,85 milhões de CPFs endividados em 2025, o que corresponde a 10,33% do total de consultas realizadas no Brasil, que somaram 27,59 milhões. São Paulo lidera com 29,44% das consultas, seguido do Rio de Janeiro com 11%.
Diferenças regionais e faixa etária evidenciam cenário mineiro
Ao contrário dos outros quatro estados com maior número de consultas a CPFs, onde a inadimplência masculina é predominante, Minas Gerais destaca-se pela liderança feminina nesse aspecto. A faixa etária com maior concentração de inadimplência entre mulheres é a de 36 a 45 anos, representando 22,23% das consumidoras endividadas. Em seguida, aparecem as mulheres com mais de 65 anos (20,12%) e aquelas entre 46 e 55 anos (18,75%).
Mulheres chefiam lares e enfrentam mais pressão financeira
Para entender essa realidade, a analista econômica da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Virgínia Mesquita, destaca a estrutura familiar mineira. Segundo ela, o Censo de 2022 aponta que 45,9% dos domicílios em Minas Gerais são chefiados por mulheres, um aumento significativo em relação aos 38,7% registrados em 2010. Além disso, um boletim da Fundação João Pinheiro revela que as mulheres responsáveis pelos lares mineiros recebem, em média, 82,1% da renda dos domicílios liderados por homens, indicando que acumulam maior responsabilidade com menos recursos.
Leia também: Agro é o Motor da Economia de Minas Gerais em 2025 com R$ 279 Bi no PIB
Leia também: Agro é o Motor da Economia de Minas Gerais em 2025 com R$ 279 Bi no PIB
O aumento do crédito e o risco de inadimplência
A economista e professora Vaníria Ferrari complementa essa análise, ressaltando que o papel crescente das mulheres na gestão do orçamento familiar leva a uma maior necessidade de acesso ao crédito. Em um cenário marcado pela inflação e pela redução do poder de compra, esse aumento no uso do crédito pode elevar a inadimplência.
Impactos no varejo mineiro
Virgínia Mesquita chama atenção para o efeito dessa inadimplência feminina no comércio local. Ela explica que as mulheres, responsáveis por grande parte das decisões de consumo doméstico, influenciam diretamente o padrão de compras de suas famílias. Dessa forma, uma pressão maior sobre esse público resulta em uma retração mais expressiva no varejo, que vai além dos números gerais de inadimplência.
Aspectos sociais que agravam a situação financeira feminina
A educadora financeira Pamela Margarida destaca que, além dos fatores econômicos, estigmas sociais pesam na renda das mulheres. Elas enfrentam menos segurança no emprego devido a questões como gravidez e responsabilidades familiares, como cuidar de parentes idosos, o que pode levar à perda de emprego e redução da renda familiar.
Leia também: PIB do Agronegócio de Minas Gerais Bate Recorde e Alcança R$ 279 Bilhões em 2025
Leia também: PIB de Minas Gerais deve crescer até 2027, aponta estudo do Santander
Educação financeira e crédito responsável como soluções
Para enfrentar esses desafios, Virgínia Mesquita aponta para a importância de estratégias específicas de educação financeira voltadas para mulheres chefes de família. Programas que abordem planejamento financeiro, uso consciente do crédito e renegociação de dívidas podem fortalecer a capacidade de pagamento desse grupo. Iniciativas como mutirões de renegociação já demonstraram que as mulheres buscam acordos quando encontram condições compatíveis com sua realidade.
No âmbito do crédito, a analista defende um olhar mais cuidadoso para o risco de superendividamento feminino, ajustando limites conforme a renda e estabilidade laboral, priorizando modalidades com juros menores e prazos adequados. Também sugere incorporar sinais de atraso nas políticas de cobrança para oferecer renegociação antes que a dívida se torne permanente.
Reconhecimento e ação do comércio mineiro
Virgínia Mesquita reforça que o cenário observado em Minas Gerais não deve ser interpretado como um problema exclusivo das mulheres, mas sim como um reflexo da realidade econômica e do mercado de trabalho local. Para o comércio, reconhecer essa dinâmica e desenvolver estratégias específicas para o público feminino é fundamental não apenas como uma responsabilidade social, mas também para manter o crescimento das vendas em um contexto de orçamentos domésticos cada vez mais apertados.
