Festival de Inverno UFMG valoriza a arte produzida em Minas Gerais
O Festival de Inverno UFMG chega à sua 58ª edição com um olhar especial para as artes “de” e “produzidas em” Minas Gerais. De 14 a 24 de julho, a universidade abre seus espaços para uma programação que celebra a singularidade do cenário artístico local. A pró-reitora adjunta de Cultura, professora Mônica Medeiros Ribeiro, destaca que o evento está ainda mais focado na arte mineira, adotando como tema Veredas das artes, uma referência direta ao clássico Grande Sertão: Veredas, do escritor Guimarães Rosa, cuja primeira edição completa 70 anos em 2026.
Leitura contínua e curadoria colaborativa no Festival
A escolha do tema reforça o compromisso com o território mineiro como um polo de criação cultural. Para isso, a professora Telma Borges, da Faculdade de Educação (FaE), assume a curadoria dos eventos relacionados ao romance de Guimarães Rosa. Telma, coordenadora do grupo de pesquisa e extensão Literário (GPELL), preparou uma atividade singular: uma leitura ininterrupta e multimodal da obra, que ocorrerá no Centro Cultural UFMG entre os dias 22 e 23 de julho, totalizando quase 40 horas de performance sonora e literária.
Além de Telma, a equipe de curadores reúne professores que dirigem os principais espaços culturais da UFMG vinculados à Pró-reitoria de Cultura (Procult). Entre eles estão Camila Mantovani, do Espaço do Conhecimento; Daniele de Sá Alves, do Espaço Acervo Artístico; Dina Marques, do campus Cultural em Tiradentes; Fabrício Fernandino, do Centro Cultural; e Fernando de Oliveira Rocha, do Conservatório. Também participam como curadores o pró-reitor de Cultura, Fernando Mencarelli, e Mônica Medeiros.
Parcerias que fortalecem a cultura mineira
O Festival continua a parceria iniciada no ano anterior com outras universidades federais mineiras: a de Juiz de Fora (UFJF), Ouro Preto (Ufop), dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e São João del Rei (UFSJ). Para Mônica Medeiros, essa colaboração é essencial para promover o diálogo sobre o presente e o futuro dos festivais, que tiveram sua origem no pioneiro evento de 1967, realizado em Ouro Preto pela UFMG.
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Fonte: daquibahia.com.br
Em junho, Fernando Mencarelli participou de um encontro na UFSJ com gestores dessas instituições, dando início a uma nova fase de debate sobre os rumos dos eventos culturais nas cidades mineiras. O 58º Festival de Inverno será um momento decisivo para aprofundar essas discussões e fortalecer os vínculos entre as universidades públicas por meio da cultura. A reflexão sobre o evento se torna ainda mais significativa com os 70 anos da Escola de Belas Artes (EBA) em 2027 e o centenário da UFMG.
Programação diversa e acesso gratuito
A programação do Festival já está disponível e mantém a tradição de combinar atividades formativas com eventos artísticos. Seminários, oficinas, shows, concertos, teatro, palestras, rodas de conversa, contação de histórias, exposições, performances, sessões de Planetário, saraus e residências artísticas compõem a agenda, toda gratuita.
Os eventos de abertura, no dia 14, começam às 19h no pátio interno do Centro Cultural UFMG, com uma homenagem a professores da universidade e a exposição Arte em movimento: traço, memória e a liberdade do gesto, curada por Fabrício Fernandino e Daniele Alves. A mostra celebra artistas que foram docentes da Escola de Belas Artes (EBA), como Álvaro Apocalypse e Yara Tupinambá, estabelecendo um diálogo com a memória dos 100 anos da UFMG.
Às 21h, o Grupo Giramundo apresenta o espetáculo Cobra Norato no auditório do Centro Cultural. A peça, que utiliza técnicas tradicionais de bonecos e referências culturais brasileiras, é um marco do teatro de bonecos nacional. A entrada requer retirada prévia de ingressos devido à limitação de lugares.
Oficinas e leituras que exploram a cultura mineira
Entre as oficinas, destaca-se Glauber, a idade da Terra – escrita de roteiro para cinemateatro, conduzida pelo dramaturgo Eid Ribeiro, uma das referências do teatro contemporâneo mineiro. A atividade, com 10 vagas, acontece de 15 a 22 de julho e é voltada para artistas e pesquisadores interessados em processos interdisciplinres.
Na música, a oficina A música de Milton Nascimento: origens e desenvolvimento de uma obra singular será ministrada por Wilson Lopes, Beto Lopes e Lincoln Cheib no Conservatório UFMG, no dia 16 de julho, das 14h às 18h. O encontro propõe um mergulho na trajetória do artista, destacando sua influência no cenário internacional.
Também no dia 18, às 19h, o ator mineiro Odilon Esteves fará a leitura dramática de trechos de Grande Sertão: Veredas no 5º andar do Espaço do Conhecimento, na Praça da Liberdade. A atividade relaciona a obra à oralidade de personagens reais do Vale do Jequitinhonha, cidade natal do ator, e é aberta ao público.
