Retirada de Cleitinho altera cenário político em Minas Gerais
O senador Cleitinho (Republicanos) anunciou nesta segunda-feira (3) que não será candidato ao governo de Minas Gerais, decisão que modifica substancialmente o panorama eleitoral no estado. Até então líder nas pesquisas de intenção de voto, a desistência do senador abre espaço para novas movimentações partidárias e redefine estratégias entre as forças políticas locais.
PL e a possível candidatura de Marcelo Aro
O Partido Liberal (PL), que tinha Cleitinho como principal nome para representar o palanque de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais, agora se articula para apoiar o ex-deputado federal Marcelo Aro (PP). A candidatura de Aro, porém, ainda carece de confirmação oficial, uma vez que a convenção do PP e União Brasil, realizada na noite desta segunda-feira, terminou sem uma definição clara sobre o nome que disputará o governo.
Marcelo Aro, que foi secretário de Governo durante a gestão do ex-governador Romeu Zema (Novo), rompeu recentemente com o executivo estadual. Essa mudança gerou reações, incluindo a do próprio Zema, que classificou o distanciamento como uma “grande decepção”. Originalmente, Aro estava previsto para concorrer ao Senado na chapa do atual governador Mateus Simões (PSD), candidato à reeleição.
Candidatos confirmados e influência das pesquisas Quaest
Com a saída de Cleitinho, Minas Gerais conta com oito candidaturas confirmadas ao governo. Na pesquisa Quaest divulgada em 28 de julho, Cleitinho liderava em todos os cenários em que aparecia, seguido por Alexandre Kalil (PDT), Patrus Ananias (PT) e Mateus Simões (PSD).
Os candidatos confirmados até o momento são:
Indira Xavier (UP) – Militante dos movimentos sociais e defensora dos direitos humanos, Indira já disputou o governo do estado em 2022 e a Prefeitura de Belo Horizonte em 2024. Sua candidatura foi oficializada em 20 de julho.
Ben Mendes (Missão) – Jornalista, advogado, estudante de medicina e influenciador digital conhecido por conteúdos sobre direitos do consumidor, disputa pela primeira vez. Confirmado em 22 de julho, obteve 2% nas intenções de voto segundo a Quaest.
Rafael Duda (PSTU) – Operário da mineração e presidente do sindicato Metabase Inconfidentes, já foi candidato a prefeito de Congonhas e deputado federal. Sua candidatura foi oficializada em 24 de julho, embora tenha 0% nas intenções de voto na pesquisa.
Túlio Lopes (PCB) – Professor da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e ex-presidente da Associação dos Docentes da UEMG, concorreu a governador em 2014 e ao Senado em 2018. Confirmado em 25 de julho, também registrou 0% nas intenções de voto.
Alexandre Kalil (PDT) – Empresário e ex-presidente do Clube Atlético Mineiro, Kalil foi prefeito de Belo Horizonte por dois mandatos consecutivos. Na última pesquisa Quaest, obteve 12% das intenções de voto. Sua candidatura foi oficializada em 26 de julho.
Patrus Ananias (PT) – Ex-prefeito de Belo Horizonte e atual deputado federal em seu quarto mandato, já atuou como ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e do Desenvolvimento Agrário. Confirmado em 31 de julho, alcançou 10% nas intenções de voto.
Gabriel Azevedo (MDB) – Advogado, jornalista, publicitário e professor universitário, foi vereador e presidiu a Câmara Municipal de Belo Horizonte. Candidatou-se à prefeitura da capital em 2024. Confirmado em 1º de agosto, obteve 4% nas intenções de voto.
Mateus Simões (PSD) – Atual governador de Minas Gerais, assumiu o cargo em março de 2026 após a renúncia de Zema. Foi vice-governador eleito em 2022, secretário-geral do estado e vereador de Belo Horizonte. Confirmado em 2 de agosto, tem 6% das intenções de voto.
Próximos passos na corrida eleitoral mineira
A saída de Cleitinho da disputa e a indefinição sobre a candidatura de Marcelo Aro indicam que o cenário político em Minas Gerais ainda está em transformação. O PL terá papel fundamental na composição das alianças e na definição do palanque que pode influenciar os rumos da eleição.
A movimentação dos partidos e os ajustes nas candidaturas serão decisivos para o desfecho da eleição, que promete disputas acirradas entre os nomes já confirmados e possíveis novas candidaturas que possam surgir até o fechamento das convenções.
