Potencial de BH na Copa do Mundo Feminina
A Copa do Mundo de Futebol Feminino, que acontecerá no Brasil, coloca Belo Horizonte em destaque como palco para mostrar a cultura e o turismo mineiro ao mundo. Prevista para junho e julho de 2027, a competição promete movimentar diversos setores na capital e em outras cidades do estado, como turismo, comércio e serviços.
Vinicius Silva, economista da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG), destaca que o torneio pode reposicionar Belo Horizonte e Minas Gerais no cenário internacional. Para ele, visitantes terão a chance de conhecer os pontos turísticos locais e a hospitalidade mineira, que pode se tornar uma marca registrada do evento.
Impactos econômicos e setores beneficiados
De acordo com Silva, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) deve investir cerca de US$ 800 milhões na Copa do Mundo Feminina, o que movimentará diretamente segmentos como hotelaria, bares, restaurantes, turismo e comércio em geral. “As pessoas que vêm de outros países querem levar para casa um pedaço da nossa cultura”, afirma o economista.
Paulo Casaca, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead), reforça que turismo e serviços terão os maiores ganhos. Além dos setores tradicionais, como hotéis e restaurantes, ele cita o transporte por aplicativo, que deve crescer com a chegada dos turistas para acompanhar os jogos.
Casaca também aponta a possibilidade de movimentação empresarial paralela ao evento, mas ressalta que o foco principal será o turismo e os serviços.
Preparação do setor hoteleiro para o Mundial
Marteen van Sluys, consultor hoteleiro da Abih-MG, avalia que o período da Copa será positivo para a hotelaria local. Desde o anúncio de Belo Horizonte como sede, os hotéis têm se preparado para o aumento da demanda, planejando ajustes em preços e otimização das tarifas, especialmente considerando que o evento terá influência do dólar.
O consultor lembra a experiência da Copa do Mundo Masculina de 2014, quando a cidade abriu 44 hotéis novos para receber visitantes e renovar as operações. “Para o próximo ano, teremos um parque hoteleiro adequado, mas é essencial qualificar os profissionais que irão atender os hóspedes e fortalecer a infraestrutura”, comenta.
Leia também: Minas Gerais se Prepara para a Copa do Mundo Feminina de 2027 e Busca Legado Esportivo
Leia também: Minas Gerais se Prepara para a Copa do Mundo Feminina 2027 com Enfoque em Legado Social e Esportivo
Van Sluys também destaca a importância de um planejamento integrado para receber o público, que costuma chegar antes do início da competição, junto com torcedores, delegações e imprensa.
Divulgação da cultura e pontos turísticos mineiros
Silva ressalta que a Copa será uma grande vitrine para divulgar produtos típicos de Minas Gerais, como queijo e cachaça. O economista reforça a necessidade de promover os atrativos turísticos além do futebol, levando visitantes a conhecerem locais como a Pampulha, Inhotim, em Brumadinho, e cidades históricas como Ouro Preto.
Além disso, pontos tradicionais de Belo Horizonte, como o Mercado Central, a Praça da Liberdade e a região da Savassi, devem se beneficiar da movimentação gerada pelo evento, ampliando o desenvolvimento econômico local.
O economista lembra que o torneio também carrega um significado social importante, ligado à inclusão de gênero, e que isso pode motivar incentivos adicionais para o sucesso da Copa.
Desafios e melhorias necessárias para o Mundial
Entre as melhorias apontadas, a mobilidade urbana aparece como prioridade. Silva destaca a necessidade de integrar melhor o transporte coletivo e aprimorar o acesso entre aeroporto e rodoviária. A preparação dos hotéis, adequações tecnológicas e logísticas no estádio, além da segurança e acolhimento bilíngue para estrangeiros, também são pontos essenciais.
O sucesso dessas ações depende da coordenação entre órgãos públicos municipais, estaduais e federais. Segundo Silva, a demanda por profissionais qualificados em hotelaria e gastronomia bilíngue gerará empregos e exigirá treinamentos específicos.
Leia também: Orquestra Sinfônica de Minas Gerais traz trilhas clássicas do cinema para Belo Horizonte
Leia também: Yamal em Minas Gerais: o impacto do jovem craque da Copa no registro de bebês
Van Sluys chama atenção para obras ainda não finalizadas em vias importantes, como a Avenida Cristiano Machado e o Anel Rodoviário, que precisam de soluções urgentes para garantir o acesso adequado à cidade.
O consultor também aponta a necessidade de revitalizar áreas degradadas no centro de Belo Horizonte, com projetos que melhorem o trânsito e a infraestrutura local.
Outro desafio está na adaptação dos hotéis para atender visitantes internacionais, como a disponibilização de cardápios bilíngues, um requisito básico para quem deseja se destacar globalmente.
Expectativas para os jogos no Mineirão e impacto turístico
Ainda sem definição das seleções que jogarão no Mineirão, van Sluys aposta que times tradicionais como Estados Unidos, Austrália, França ou Inglaterra podem trazer grande público à capital mineira. A última edição da Copa do Mundo Feminina, realizada na Austrália e Nova Zelândia, estabeleceu recordes de público e turistas, o que alimenta a expectativa de forte movimentação no turismo local.
Para Silva, o evento representa uma chance histórica para Belo Horizonte, mesmo que o Brasil não jogue no estádio durante a fase de grupos. A paixão pelo futebol e a hospitalidade mineira são elementos que sustentam a confiança no sucesso do Mundial.
“Estamos prontos para transformar esse grande evento em uma marca duradoura para Minas Gerais”, conclui o economista.
