Desafios Financeiros dos Hospitais Filantrópicos
A Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais (Federassantas-MG) denunciou que os hospitais que atendem exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Belo Horizonte estão sofrendo com atrasos nos pagamentos por parte da Prefeitura da capital mineira. Em uma publicação nas redes sociais, a entidade lamentou que, enquanto muitos celebram as festividades de fim de ano, as instituições de saúde estão enfrentando uma grave crise financeira.
Segundo a Federassantas-MG, a gestão municipal deveria repassar as verbas recebidas do Ministério da Saúde para os hospitais, mas isso não está acontecendo. “A prefeitura tem priorizado outros assuntos e os repasses garantidos por lei estão sendo desviados ou não chegam aos hospitais. Durante o ano, a administração utilizou novos recursos do ministério para quitar dívidas antigas, empurrando os pagamentos necessários para os meses seguintes. Isso é, de fato, uma ‘pedalada’ na saúde, comprometendo o atendimento e colocando os hospitais em uma situação insustentável”, destacou um trecho da publicação.
Atualmente, a dívida acumulada pela Prefeitura de Belo Horizonte já ultrapassa a marca de R$ 50 milhões, o que levanta preocupações sobre a continuidade dos serviços prestados pelas instituições. A Santa Casa BH, o Hospital São Francisco, a Rede Mário Penna, o Hospital Sofia Feldman, o Hospital da Baleia e o Hospital Universitário Ciências Médicas estão entre as instituições mais afetadas.
A Importância dos Hospitais Filantrópicos
A Federassantas-MG ressaltou que esses hospitais são responsáveis por mais de 70% dos tratamentos de alta complexidade e por metade da produção hospitalar de Belo Horizonte. “Diante da relevância que essas instituições têm para a saúde pública, é imprescindível que a prefeitura trate essa situação com a seriedade que ela merece. Reconhecemos os desafios financeiros enfrentados pelo município, mas não podemos esquecer: a saúde deve ser prioridade!”, enfatizou a entidade.
Os hospitais filantrópicos têm um papel crucial na assistência à população, principalmente em tempos de festividades, onde a demanda por serviços de saúde pode aumentar. “Enquanto a prefeitura se ocupa de outros problemas, continuamos na luta diária para salvar vidas”, completou a publicação.
Reivindicações e Respostas da Prefeitura
A Federassantas-MG exige a regularização imediata dos repasses e um comprometimento real por parte da administração municipal. A entidade pede uma mudança de postura, tratando a saúde com a importância e o respeito que ela merece.
Em resposta, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) negou as alegações de atrasos nos repasses financeiros, afirmando que a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) cumpre com os marcos legais e orçamentários, realizando os pagamentos conforme a disponibilidade financeira. A nota oficial da PBH argumenta que eventuais atrasos nos repasses da União e do Estado impactam diretamente o fluxo municipal, levando a secretaria a buscar soluções para garantir os serviços de saúde, mesmo que em momentos diferentes do que o planejado.
De acordo com a prefeitura, entre 1º de janeiro e 19 de dezembro deste ano, os hospitais 100% SUS de Belo Horizonte receberam um total de R$ 1.459.835.301,77, proveniente de pagamentos, emendas parlamentares e incentivos.
Compromisso com a Saúde Pública
A gestão municipal reafirma seu compromisso com a transparência e busca o diálogo com as instituições de saúde. Segundo a PBH, os hospitais filantrópicos são considerados estratégicos dentro da rede de atenção à saúde da capital, e a prefeitura se compromete em construir soluções que fortaleçam o SUS e garantam a assistência à população, sempre respeitando os princípios da legalidade e responsabilidade fiscal.
A situação dos hospitais filantrópicos em Belo Horizonte é um reflexo dos desafios que o setor de saúde enfrenta no país. É essencial que a administração municipal priorize os repasses de verbas e a seriedade nas políticas de saúde, para que instituições tão relevantes possam continuar a oferecer atendimento de qualidade à população.
