Aeroporto Internacional de Belo Horizonte se Destaca
A aviação comercial em Minas Gerais encerra 2025 enfrentando desafios significativos nos aeroportos regionais, resultando em uma maior concentração de passageiros no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, conhecido como BH Airport, localizado em Confins, na Região Metropolitana. Entre os meses de janeiro e novembro, o terminal da Grande BH ampliou sua participação no fluxo total de passageiros para 86,9%. Em contrapartida, os aeroportos regionais experimentaram uma diminuição de 1,52 ponto percentual, agora respondendo por pouco mais de 13% do mercado de aviação do estado.
Esses dados fazem parte de um relatório recentemente divulgado pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). A movimentação anual demonstra uma consolidação robusta em Confins, impulsionada pela ampliação de voos e conexões, enquanto as operações nos terminais regionais enfrentam problemas e inseguranças que afetam sua rotina.
Impactos da Suspensão de Rotas
Um fator que contribuiu significativamente para o desempenho negativo dos aeroportos regionais de Minas foi a suspensão de rotas pela companhia Voepass. Essa situação afetou bastante áreas como o Vale do Aço e a Zona da Mata mineira. No Aeroporto Regional da Zona da Mata, em Goianá, houve uma queda alarmante de 31,37% em 2025 no número de passageiros transportados. O cenário no Vale do Aço também é preocupante, com Santana do Paraíso registrando um recuo de quase 20,94% no fluxo de viajantes até o momento.
Desde março, ambos os aeroportos deixaram de receber voos da Voepass, uma decisão que ocorreu após a ANAC suspender as operações da empresa devido ao descumprimento de exigências de segurança. A Voepass era uma das principais responsáveis pelo transporte de passageiros nesses terminais, especialmente nas rotas que conectavam as regiões a São Paulo.
Crescimento em Uberlândia e Montes Claros
Por outro lado, as cidades de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e Montes Claros, no Norte de Minas, foram os únicos grandes polos regionais a registrar crescimento, com aumentos de 2,89% e 1,54%, respectivamente. Juntas, essas localidades movimentaram cerca de 1,2 milhão de passageiros entre janeiro e novembro de 2025, evidenciando o potencial econômico dessas regiões, que se destacam em setores como agronegócio e serviços.
Perspectivas para a Aviação Regional em 2026
Com o olhar voltado para 2026, as expectativas são de que o interior de Minas Gerais comece a retomar gradualmente o que muitos chamam de “era de ouro da aviação regional”. Isso deve ocorrer com a injeção de R$ 450 milhões em investimentos federais até 2028. Esses recursos serão direcionados para operações em cidades como Varginha (Sul de Minas), Salinas (Norte de Minas), Patos de Minas (Alto Paranaíba), Ponte Nova (Zona da Mata), Pouso Alegre (Sul de Minas), Divinópolis (Centro-Oeste), Governador Valadares (Vale do Rio Doce), Santana do Paraíso (Vale do Aço) e Araxá (Alto Paranaíba).
Os investimentos visam a ampliação e modernização da infraestrutura, com reformas e expansão de terminais. Além disso, espera-se que as companhias comecem a receber melhores incentivos para suas operações no estado, o que pode contribuir para a redução de custos e, a longo prazo, melhorar a competitividade das tarifas nas rotas da aviação regional.
Algumas empresas, como a Latam Airlines, já manifestaram interesse na aquisição de jatos Embraer E195-E2, que podem adicionar entre 25 a 30 novos destinos atendidos pela companhia em todo o país. A expectativa é que, com esses incentivos, destinos mineiros se tornem cada vez mais populares, ampliando a oferta de companhias aéreas e diminuindo a dependência de determinadas marcas.
Movimentação de Passageiros em 2025
Os números de movimentação de passageiros em 2025 destacam os seguintes dados:
- Confins (BH Airport): 11.286.760 (+8,74%)
- Uberlândia: 952.012 (+2,89%)
- Montes Claros: 323.284 (+1,54%)
- Goianá: 122.814 (-31,37%)
- Santana do Paraíso: 125.434 (-20,94%)
- Uberaba: 72.389 (-17,32%)
- Governador Valadares: 79.673 (-0,21%)
(*) Dados de janeiro a novembro de 2025. Fonte: ANAC.
