Desemprego em Alta no Estado
Minas Gerais apresentou um saldo negativo de 8.740 demissões em relação às contratações em novembro de 2025, conforme os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). No total, foram 207,4 mil desligamentos e 198,6 mil admissões, resultando no pior desempenho do país nesse período. O setor da construção civil foi o principal responsável por esse retrocesso, refletindo uma desaceleração nas obras de infraestrutura, que incluem projetos ligados à mineração.
O economista do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Adriano Miglio Porto, destaca que a construção civil foi a principal atividade a restringir o emprego no estado. “Houve uma queda significativa tanto na construção de edifícios quanto nas grandes obras de infraestrutura, muitas delas vinculadas às atividades de mineração”, comenta Porto.
Comparação com o Ano Anterior
Os números de novembro deste ano são ainda mais preocupantes quando comparados ao mesmo mês de 2024, quando Minas Gerais registrou um saldo positivo de 1.030 contratações, com 206 mil admissões contra 205 mil desligamentos. Segundo Porto, essa flutuação reflete a desaceleração da economia nacional, que parece impactar Minas de forma mais agressiva. “O estado tende a apresentar um comportamento pró-cíclico. Quando a economia brasileira enfrenta um desaquecimento, a economia mineira acaba sendo mais fortemente afetada”, afirma o economista.
Municípios com Maior Impacto
Entre os municípios mineiros mais afetados em novembro, destacam-se Belo Horizonte, que perdeu 754 vagas, Conceição do Mato Dentro, com 690 demissões, e São Gotardo, que registrou 628 desligamentos. No panorama setorial, a construção civil liderou as perdas, com 8.447 desligamentos a mais do que admissões. Além disso, a agropecuária e a indústria também enfrentaram dificuldades, com perdas de 4.425 e 3.039 vagas, respectivamente.
A cidade de Nova Serrana, localizada no Centro-Oeste do estado, também apresentou uma retração significativa, com 577 demissões líquidas, um reflexo da queda na indústria de calçados, que é a principal atividade econômica da região. Em contrapartida, apenas dois setores apresentaram saldo positivo em Minas: comércio, com a criação de 6.339 vagas, e serviços, com 838 novas oportunidades.
Expectativas para os Próximos Meses
Embora o fim de ano traga uma expectativa de contratações no comércio, os economistas, como Porto, acreditam que dezembro e janeiro continuarão apresentando saldos fracos ou mesmo negativos. “Historicamente, janeiro é um mês complicado para o mercado de trabalho, devido a ajustes e mudanças nas empresas”, explica.
Por outro lado, a agropecuária pode apresentar um aumento nas admissões no início do ano, o que poderia amenizar o saldo negativo. Contudo, uma recuperação mais significativa deve ser esperada somente no primeiro trimestre de 2026. “A partir de março, começaremos a observar uma melhora mais clara, especialmente com a retomada de obras e atividades ligadas ao ciclo eleitoral”, projeta Porto.
Acumulado do Ano Permanece Positivo
Apesar do desempenho preocupante em novembro, o saldo acumulado de 2025 permanece positivo, com a criação de mais de 151 mil empregos formais em Minas Gerais. No total, foram 2,664 milhões de admissões e 2,512 milhões de desligamentos, resultando em um saldo que, embora tenha enfrentado desafios, demonstra um crescimento em relação ao ano anterior. Todos os cinco principais setores econômicos registraram saldos positivos, com o setor de serviços destacando-se, criando 74.857 novas vagas, seguido pela indústria com 30.433 e pelo comércio com 25.329.
