Indústrias de Minas Gerais Reagem ao Aumento das Tarifas de Transporte
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) expressou sua preocupação em relação ao aumento das tarifas de transporte público, que será implementado em Belo Horizonte e em toda a Região Metropolitana a partir de 2026. A decisão, que foi anunciada pela Superintendência de Mobilidade do Município (Sumob) em conjunto com a Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra), prevê um reajuste de quase 9% nas tarifas dos ônibus municipais e do transporte metropolitano.
O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, do União Brasil, e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do Novo, seguem o exemplo de autoridades de outras grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, onde também foram estabelecidos aumentos nas tarifas de transporte público. A Fiemg considera que o reajuste definido é desproporcional, especialmente quando comparado à evolução dos principais indicadores econômicos.
Nos últimos 12 meses até novembro de 2025, a inflação ao consumidor (IPCA) na Região Metropolitana de Belo Horizonte foi de apenas 3,81%. Com isso, o aumento das passagens supera amplamente a alta do custo de vida na localidade. Além disso, o preço do óleo diesel, um insumo vital para o transporte coletivo, teve um incremento ínfimo de apenas 1,61% no mesmo período, o que não justifica um aumento tão substancial.
O reajuste das passagens se soma a uma série de aumentos já aplicados recentemente. Desde meados de 2023, os valores das passagens nas linhas estruturais do transporte coletivo convencional já aumentaram quase 40%, e o novo aumento, anunciado para janeiro de 2026, eleva a tarifa dos ônibus convencionais de R$ 5,75 para R$ 6,25, representando um aumento de 8,7%.
A Fiemg emitiu um comunicado ressaltando que “este aumento prejudica a mobilidade urbana e sobrecarrega o orçamento de milhares de habitantes na Região Metropolitana de Belo Horizonte”. A entidade destacou que as pessoas de baixa renda, que dependem do transporte coletivo para suas atividades diárias, são as mais afetadas pelos constantes reajustes.
Impactos Econômicos do Reajuste
O aumento das tarifas tem implicações diretas para as empresas, uma vez que a maioria dos custos de transporte é absorvida pelos empregadores. Com um limite legal para o desconto do vale-transporte nos salários, o aumento das tarifas pode, portanto, resultar em um custo adicional para as empresas. Essa situação pode levar as empresas a repassarem o aumento aos preços finais de seus produtos ou até mesmo inviabilizar operações produtivas. De acordo com a Fiemg, isso pode gerar um impacto econômico significativo, refletindo em aumentos na inflação e no desemprego.
É importante destacar que o discurso de Romeu Zema na sua campanha eleitoral girou em torno da liberdade para empreender e da redução de custos para empresários. Agora, com a aplicação desse aumento, muitos questionam se essa promessa se manterá em meio a um ambiente econômico adverso.
Além do transporte convencional, as tarifas das linhas circulares e alimentadoras também serão ajustadas, passando de R$ 5,50 para R$ 6. Para o transporte suplementar, a tarifa mudará de R$ 5,50 para R$ 6 no grupo 1, e de R$ 5,75 para R$ 6,25 no grupo 2, enquanto o grupo 3 verá um aumento de R$ 2,75 para R$ 3. Essas novas tarifas entrarão em vigor em 1º de janeiro de 2026.
O transporte metropolitano também sofrerá um reajuste de 8,93%, com o novo valor começando a valer em 9 de janeiro de 2026.
A Fiemg afirmou compreender a necessidade de reajustes periódicos nas tarifas de transporte coletivo, tendo em vista que essas medidas são essenciais para que os prestadores de serviço possam cobrir os aumentos de custo e manter a qualidade da frota. No entanto, a entidade enfatiza que esses reajustes precisam ser compatíveis com a evolução da economia e com a capacidade de pagamento das famílias e das empresas que utilizam o serviço.
