Capacidade dos Reservatórios e Desafios Climáticos
Em meio a um cenário climático cada vez mais instável, que combina chuvas irregulares e ondas de calor, o Sistema Paraopeba, responsável pelo abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), encerra 2025 com apenas 46,4% de sua capacidade total. Apesar desse índice abaixo da metade, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) considera que essa situação está dentro do esperado para a época do ano.
Dentro do sistema, as condições variam. Enquanto os reservatórios de Vargem das Flores estão com 48,4% e Serra Azul apresenta apenas 30,7% de sua capacidade, o Rio Manso demonstra um desempenho melhor, mantendo 55,2% do volume total disponível. Essa diversidade na capacidade dos reservatórios reflete a complexidade da gestão hídrica na região.
Monitoramento e Segurança de Abastecimento
Segundo a Copasa, o nível atual de armazenamento, aliado ao consumo consciente da população, permite que o abastecimento na maior parte da Grande BH continue de forma regular. A empresa destaca que a variação nos níveis dos reservatórios, com queda durante os períodos secos e recuperação nas épocas chuvosas, é uma parte normal do funcionamento esperado dessas estruturas.
O Sistema Produtor Paraopeba opera de maneira integrada, o que possibilita à companhia monitorar e analisar os reservatórios em conjunto, aumentando a segurança operacional do sistema. A Copasa alerta, no entanto, que condições climáticas extremas, como altas temperaturas e baixa umidade, podem impactar significativamente o consumo e provocar instabilidades no abastecimento. Em situações assim, áreas mais distantes da rede ou localizadas em altitudes elevadas podem ser mais vulneráveis a oscilações no fornecimento.
Queda no Volume de Chuvas e Medidas de Economia
O balanço pluviométrico de dezembro revela uma diminuição drástica nas chuvas em comparação ao ano anterior, impactando todos os sistemas. O reservatório Vargem das Flores, por exemplo, registrou apenas 175,5 milímetros (mm) no último mês, menos da metade dos 404,4 mm de dezembro de 2024. O Rio das Velhas também ficou aquém, com um acumulado de 195,7 mm, abaixo da média histórica de 339,6 mm. Esse quadro indica um final de ano seco para a capital mineira e seus sistemas hídricos.
Diante desse cenário preocupante, a Copasa informa que está realizando todos os esforços necessários para garantir o fornecimento de água à população. A companhia ressalta a importância da colaboração dos cidadãos na adoção de práticas de economia, como o uso consciente das torneiras e a manutenção da tubulação da residência.
Reajuste de Tarifas e Sustentabilidade
A Copasa também anunciou a implementação de uma nova política tarifária a partir deste mês. A partir do dia 22, haverá um reajuste médio de 6,56% nas tarifas. Essa revisão busca aumentar a eficiência e a sustentabilidade do sistema de abastecimento. Um dos principais focos do novo ciclo é o fortalecimento do aspecto social, com a ampliação de benefícios para famílias em situação de vulnerabilidade registradas no Cadastro Único (CadÚnico) e a concessão de 50% de desconto nas tarifas de água e esgoto para hospitais públicos e instituições filantrópicas.
Desafios Futuros e Necessidade de Investimentos
O cenário observado ao fim de 2025 destaca como a combinação de variabilidade climática, pressão sobre os reservatórios e padrões de consumo representam desafios cada vez mais frequentes para o abastecimento na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Nesse contexto, a gestão integrada dos sistemas hídricos, aliada ao uso consciente da água, é crucial para garantir a segurança hídrica. O novo ciclo tarifário também impulsiona o debate sobre a necessidade de investimentos contínuos, eficiência operacional e mecanismos de proteção social, à luz das mudanças climáticas e da crescente demanda sobre serviços públicos essenciais.
