Duplicação da BR-381: Esperança e Desafios
A duplicação da BR-381, uma velha promessa nas disputas eleitorais, novamente se destaca como um forte trunfo político em Minas Gerais, com foco nas eleições de 2026. Com a concessão já formalizada à iniciativa privada e intervenções em andamento, a rodovia, conhecida pela pecha de “Rodovia da Morte”, se insere em um cenário repleto de expectativas e dúvidas, especialmente em um ano eleitoral.
Durante a campanha presidencial de 2022, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou a duplicação da BR-381 como um compromisso central. Em comícios, entrevistas e visitas ao Vale do Aço, Lula prometeu transformar a “Rodovia da Morte” em uma “Rodovia da Vida”, uma promessa que, à medida que o tempo avança, requer agora a realização concreta das obras.
A privatização do trecho entre Belo Horizonte e Governador Valadares, que abrange 134,27 quilômetros, aconteceu um ano após Lula assumir a presidência, após três tentativas de leilão que não tiveram sucesso. A concessionária vencedora agora tem a responsabilidade de efetuar a duplicação e implementar 83 quilômetros de faixas adicionais ao longo de 30 anos.
Desafios na Execução das Obras
Uma mudança significativa no edital da contratação foi a decisão da União de arcar com os custos do trecho mais próximo à capital mineira, uma estratégia que visava atrair interessados que haviam se afastado devido aos altos custos de desapropriação. Apesar dos passos importantes já dados, a realidade da execução das obras é um campo repleto de desafios. Embora a concessionária esteja operando e um cronograma tenha sido divulgado, as obras de duplicação ainda não começaram em larga escala.
O governo federal planeja iniciar as intervenções no percurso entre Belo Horizonte e Caeté no primeiro semestre de 2026. Para o trecho concedido à iniciativa privada, a previsão de início das obras de duplicação está agendada somente para o segundo semestre do mesmo ano.
O intervalo entre o anúncio e a efetivação das obras poderá ser um fator crucial na narrativa política que envolve a BR-381 nas eleições deste ano. Apesar de haver um contrato de concessão em vigor e serviços de atendimento ao usuário já disponíveis, a duplicação – uma demanda histórica – ainda se apresenta como uma promessa incerta no horizonte.
Um Histórico de Fracassos e Promessas Não Cumpridas
Antes de voltar a ser tema central nas discussões eleitorais, a BR-381 já carregava um longo histórico de concessões frustradas e promessas que não se concretizaram. Nos últimos 20 anos, diversas administrações tentaram implementar soluções para o trecho crítico da rodovia. Em 2013, a primeira tentativa de concessão não teve sucesso, e em 2021, o leilão foi cancelado devido à falta de interessados. Uma nova tentativa no governo de Jair Bolsonaro (PL) em 2022 também não avançou.
O novo governo de Lula se deparou com as mesmas dificuldades. O primeiro modelo de concessão falhou por falta de interessados e se tornou uma ferramenta de crítica da oposição. Para reverter essa situação, o governo reformulou o edital, incluindo a responsabilidade de custear o reassentamento de famílias que vivem ao longo da rodovia nas proximidades da capital.
Essa mudança facilitou a concessão, mas também transferiu ao governo federal a responsabilidade por parte do projeto mais delicada: a duplicação do trecho entre Belo Horizonte e Caeté. Em novembro, um acordo foi assinado para ceder uma área de 2,2 milhões de metros quadrados para reassentar cerca de 2 mil famílias, que serão removidas da região. Este terreno, localizado no Bairro Capitão Eduardo, será integrado ao programa Minha Casa, Minha Vida.
Previsões Orçamentárias e Críticas
No entanto, mesmo com esses progressos, novos obstáculos surgem. Um dos principais desafios é o orçamento disponível. O Projeto de Lei Orçamentária da União para 2026 aloca R$ 96 milhões para as intervenções no trecho de 31 quilômetros entre BH e Caeté, um valor considerado insuficiente pelo movimento Pró-Vidas BR-381, que há anos luta pela duplicação da rodovia. A entidade argumenta que serão necessários ao menos R$ 650 milhões para garantir a conclusão das obras e o reassentamento adequado das famílias.
Em uma entrevista ao Estado de Minas e à TV Alterosa, o presidente Lula reafirmou sua intenção de fazer da BR-381 uma bandeira política. Ele destacou a duplicação como um sinal de compromisso cumprido, afirmando que o investimento equivale a “praticamente construir uma nova estrada, com a dignidade que ela merece”. Lula também comparou os investimentos atuais com os de gestões anteriores, ressaltando que, ao assumir a presidência, os aportes anuais para rodovias federais em Minas Gerais mais que triplicaram.
