Oportunidade de Restauração Ambiental
Como revitalizar uma floresta após um dos maiores desastres ambientais do Brasil? Essa questão foi o foco de uma pesquisa inovadora realizada ao longo de cinco anos por cientistas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Durante essa expedição, eles coletaram espécies nativas da Mata Atlântica e amostras do solo em 30 locais de dez cidades mineiras, além de realizar coletas em duas cidades do Espírito Santo. O estudo abrangeu dois tipos de ambientes: aqueles que resistiram à devastação causada pela lama e os que foram severamente afetados pelos rejeitos de minério.
“Ainda encontramos vestígios do rejeito nesse solo, com altos níveis de ferro e manganês. Além disso, a baixa quantidade de matéria orgânica dificulta o desenvolvimento saudável das plantas”, explica Yumi Oki, pesquisadora da UFMG.
Utilizando equipamentos de ponta, os cientistas analisaram o nível de estresse das plantas, sua capacidade de absorver nutrientes e como se adaptam a diferentes tipos de solo. As descobertas foram promissoras: 363 espécies demonstraram grande potencial para restaurar as matas ciliares da região.
Espécies Promissoras para Recuperação
Entre as plantas identificadas, a embaúba se destacou como uma das mais promissoras para a restauração florestal na bacia do Rio Doce. Essa árvore não apenas consegue sobreviver em solos contaminados, mas também desempenha um papel crucial na recuperação do ecossistema: ela atrai fauna, melhora a qualidade do solo e oferece sombra para o crescimento de outras plantas.
“Essas árvores são essenciais porque atraem um maior número de polinizadores e dispersores de sementes. Elas promovem o renascimento da biodiversidade nesse importante rio brasileiro”, enfatiza Geraldo Fernandes, professor de ecologia da UFMG.
Após o desastre ocorrido em 2015, quando a barragem de Fundão, pertencente à mineradora Samarco, liberou mais de 40 milhões de metros cúbicos de rejeito, a devastação ambiental foi imensa. Bilhões de litros de rejeito destruíram vilarejos, contaminaram rios e chegaram até o mar, resultando na morte de 19 pessoas. A Samarco anunciou que já utiliza mais de 200 espécies nativas em seus trabalhos de recuperação ambiental, contando com a colaboração das universidades federais de Minas Gerais (UFMG) e de Viçosa (UFV) em suas iniciativas.
Colaboração da Comunidade Local
A ciência não é a única esperança para a recuperação da vegetação. Moradores próximos ao Rio Doce também estão se mobilizando para ajudar.
“Estamos dispostos a participar do reflorestamento e apoiar as instituições em ações. Cada pessoa pode fazer a sua parte, e a natureza cuidará do restante”, afirma Andréa Souza, agente administrativa.
