Aumento nas vendas de combustíveis em Minas Gerais
As distribuidoras de combustíveis em Minas Gerais registraram um crescimento de 2,7% nas vendas acumuladas entre janeiro e novembro deste ano, em comparação ao mesmo período de 2024. A gasolina, com uma impressionante alta de 9,2%, liderou esse crescimento e se destacou como o combustível mais vendido no Estado, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em contrapartida, o etanol enfrentou uma queda significativa de 11,3% nas vendas no mesmo intervalo.
Até novembro, o total comercializado no Estado alcançou 16,4 milhões de metros cúbicos (m³) de combustíveis. Desse total, 27,2% (4,5 milhões m³) correspondem à gasolina, enquanto 12,4% são de etanol (2,04 milhões m³) e a maior parte, 49% (8 milhões m³), refere-se ao óleo diesel.
Gasolina se destaca no desempenho de vendas
Ao analisarmos as vendas de combustíveis separadamente, o desempenho da gasolina se destaca consideravelmente. Entre 2024 e 2025, o volume de gasolina vendido até novembro foi 9,28% maior, subindo de 4,13 milhões m³ para 4,5 milhões m³. Essa alta expressiva pode ser atribuída à vantagem competitiva da gasolina em relação ao etanol neste ano.
O economista-chefe do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Izak Silva, explica que a oferta reduzida de etanol, associada ao aumento da demanda, elevou os preços do biocombustível, fazendo com que os consumidores optassem pela gasolina. Outros fatores que contribuíram para essa mudança foram o aumento da porcentagem de etanol anidro na mistura da gasolina, o que diminuiu os estoques e, consequentemente, elevou ainda mais os preços do etanol. “Esse conjunto de fatores resultou em uma redução nas vendas de etanol, tornando a gasolina mais competitiva”, afirmou Silva.
Desempenho do etanol e desafios climáticos
As dificuldades enfrentadas pelo setor sucroalcooleiro, em grande parte devido a condições climáticas adversas no último ano, também têm impactado as vendas de etanol. O presidente da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais (Siamig Bioenergia), Mário Campos, destacou que, em outubro, o preço do etanol hidratado estava em torno de R$ 2,74 e, em dezembro, subiu para R$ 2,91. Essa alta de quase 7% foi acompanhada pela queda nos preços da gasolina, o que levou a um ajuste no mercado.
“Em Belo Horizonte, a gasolina chegou a custar R$ 6,20 e agora já está abaixo de R$ 6. As reduções de preço promovidas pela Petrobras e outros fatores influenciaram na competitividade da gasolina”, comentou Campos.
Vendas de GLP e análises de novembro
Além da gasolina e do diesel, o gás de cozinha (GLP) também viu um aumento nas vendas em 2025, com um crescimento de cerca de 3% em relação ao ano anterior. Quando analisamos o desempenho de novembro, as vendas totais de combustíveis mostraram uma alta de 2,8%, seguindo a tendência de aumento anual de 2,7%. A gasolina, mais uma vez, se destacou, com um crescimento de 9,3% em comparação ao mês anterior, enquanto as vendas de óleo diesel aumentaram em 3,2% e do GLP em 3%.
Por outro lado, o etanol registrou uma queda nas vendas em novembro, com uma redução de 26 mil m³ em 2025, caindo de 199 mil m³ em 2024 para 173 mil m³ neste ano. Essa tendência reafirma os desafios enfrentados pelo mercado do biocombustível e a crescente preferência pela gasolina entre os consumidores.
