Espetáculos a Preço Popular em BH e Betim
A Campanha de Popularização Teatro e Dança inicia sua 51ª edição nesta quinta-feira, 8 de janeiro, e prossegue até 8 de fevereiro. Durante um mês, o evento promete levar 198 espetáculos a 77 diferentes espaços culturais em Belo Horizonte e Betim, com ingressos acessíveis ao valor de R$ 25. Os bilhetes estão disponíveis no site vaaoteatromg.com.br e em pontos de venda do Sindicato dos Produtores de Artes Cênicas de Minas Gerais (Sinparc), localizados nos shoppings Cidade, Pátio Savassi e Monte Carmo.
Considerada uma das iniciativas culturais mais tradicionais de Belo Horizonte, a campanha teve início com kombis que percorriam os bairros da cidade, oferecendo ingressos das peças. “É um projeto que valoriza a economia criativa”, destaca Cássio Pinheiro, presidente do Sinparc e curador desta edição.
O Papel do Público na Escolha dos Espetáculos
Pinheiro enfatiza que a venda de ingressos é a principal fonte de renda do evento. “Embora o patrocínio tenha sua importância, seu papel é apenas de apoio. O que realmente conta é a conexão das peças com o público. O que vale é a escolha do público”, afirma. Segundo ele, se um espetáculo não atrai espectadores, o produtor deve estar preparado para substituí-lo.
Essa dinâmica explica por que algumas atrações se tornaram clássicas dentro da campanha, como “Acredite, um espírito baixou em mim”, uma comédia com Ilvio Amaral e Maurício Canguçu; “Aperte o play e só… ria”, de Carlos Nunes, Kayete e Fernando Veríssimo; “Guaraparir”, com Kayete e Guilherme Oliveira; e “Perigo! Mineiros em férias”, da Divertidamente Produções Artísticas, todas com retorno garantido nesta edição.
A Importância da Repetição de Espetáculos
O exemplo da peça “Acredite, um espírito baixou em mim” é emblemático, já que está em cartaz há 27 anos e é a mais antiga dos palcos mineiros. Para este ano, está previsto o lançamento do segundo filme baseado na trama, que discute identidade e preconceito ao mostrar a história de um espírito que invade o corpo de um homem com uma visão conservadora.
Novidades na Programação
Além das já conhecidas, a campanha traz 77 estreias com uma programação diversificada, incluindo teatro adulto, infantil e dança. Entre as novidades estão “As 3 tentações de Cristo”, que aborda a passagem bíblica do deserto; o clássico “Otelo”, de William Shakespeare; “Os mistérios de Agatha Christie”; e “Na comédia de Edgar, Alan põe o bico”, que segue a jornada de Edgar Allan Poe em busca de inspiração.
Na seção infantil, novos títulos como “Brinquedo de chão”, “Clownstrofobia”, “Como a noite apareceu” e “Um cachorro para Dona Baratinha” prometem encantar o público jovem. Na dança, as veteranas Dudude Herrmann e Lina Lapertosa apresentarão “A festa é de Aruanda”, “Chão” e “Qbrô”.
Acompanhando as Mudanças do Público
Cássio explica que a campanha é constantemente atualizada para atender às demandas do público. “Cerca de 80% dos espectadores têm mais de 50 anos. Isso se deve ao público que formamos entre as décadas de 1960 e 1990, que levava os filhos para ver as peças. Contudo, desde os anos 2000, a presença de jovens tem diminuído”, observa.
Ele ressalta que a escassez de produções voltadas para adolescentes é preocupante. “Precisamos criar estratégias para reengajar este público, que tende a ser mais arredio e prefere sair com amigos em grupo”, pontua.
Desafios e Expectativas Futuras
Após a pandemia, a campanha se estabilizou com uma média de 180 a 200 mil espectadores por ano, um número que ainda está abaixo dos 300 mil registrados antes de 2019. “O sucesso do carnaval também nos obrigou a repensar o cronograma. Antes, a campanha durava 10 semanas, mas agora limitamos a apenas quatro, evitando coincidências com a festa mais popular da cidade”, conclui Pinheiro.
Para o futuro, ele menciona a possibilidade de iniciar as próximas edições após o carnaval, permitindo uma duração maior e, consequentemente, atraindo mais público.
