Crescimento Recorde na Arrecadação de Impostos
Minas Gerais encerrou o ano de 2025 com um marco impressionante na arrecadação de impostos, taxas e contribuições, totalizando R$ 294,5 bilhões. Esse número representa um aumento de 9,7% em comparação aos R$ 268,4 bilhões arrecadados em 2024, de acordo com os dados do Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Essa cifra expressa 7% do total arrecadado em todo o Brasil.
As principais fontes dessa receita vieram do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) e do Imposto de Renda (IR), além de contribuições relacionadas a importações e previdência. Em Belo Horizonte, a arrecadação de impostos municipais também superou expectativas, alcançando R$ 6,4 bilhões, um aumento em relação aos R$ 5,8 bilhões de 2024.
O Papel do ICMS e do IPTU
O ICMS, que é a principal fonte de arrecadação em Minas Gerais, é um indicador direto do comportamento do consumo, incidindo sobre itens essenciais como alimentos, energia e combustíveis. No âmbito municipal, o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) também se destaca como uma fonte vital de receita para as prefeituras.
Fernanda Gonçalves, economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG), aponta que o aumento na arrecadação registrado em 2025 pode ser atribuído a uma combinação de fatores, como a inflação e mudanças nas políticas tributárias. Ela menciona que “em 2025, os preços subiram cerca de 4,4% e houve um aumento no ICMS sobre combustíveis, o que elevou o valor das transações e, consequentemente, a arrecadação de impostos”.
Desafios e Necessidades de Equilíbrio Fiscal
Apesar do incremento na arrecadação que pode viabilizar novos investimentos, a economista destaca a importância de manter um equilíbrio fiscal. Ela alerta que, se o crescimento da arrecadação for unicamente impulsionado pela inflação, os benefícios podem ser efêmeros. “É crucial investir de forma adequada para garantir resultados que perdurem ao longo do tempo”, afirma.
No cenário nacional, a arrecadação de impostos também atingiu níveis recordes, totalizando R$ 3,98 trilhões, colocando o Brasil entre as 25 nações com as maiores cargas tributárias do mundo. Historicamente, os impostos sobre consumo têm representado a maior parte da arrecadação.
Setores em Destaque e Reformas à Vista
Em 2024, o setor industrial foi responsável pela maior parte da arrecadação, com cerca de 35%. O comércio (25%-30%), serviços (20%-25%), energia (10%-15%) e agroindústria (8%-12%) também contribuíram significativamente. A expectativa é que, a partir de 2026, com a implementação da reforma tributária, a arrecadação mantenha-se estável ou apresente uma leve queda líquida devido a isenções e cashback, mas que possa ser equilibrada por um crescimento econômico modesto de 0,5% a 1% adicional ao PIB anual.
Projeções da ACSP indicam que entre 2030 e 2032 a arrecadação deverá crescer gradualmente à medida que o novo sistema tributário se consolida. A previsão é de que o PIB cresça até 2% ao ano além da média, impulsionado por investimentos. Após 2033, a arrecadação pode ser significativamente maior, entre 10% e 15% a mais em comparação ao cenário atual, caso a eficiência prometida pela reforma se concretize. Espera-se que a base tributável ampliada resultará em um aumento do PIB entre 12% e 20% em um horizonte de 15 anos.
