Mobilização em Belo Horizonte
Belo Horizonte será palco de uma manifestação na próxima segunda-feira, dia 5 de janeiro, às 16h30, na Praça Sete. O ato, que visa contestar a recente incursão militar dos Estados Unidos na Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro, é organizado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e por diversos movimentos sociais. Este evento integra uma jornada nacional de protestos convocada por líderes de esquerda em resposta à ofensiva do governo de Donald Trump.
A convocação da mobilização foi feita pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG), que recorreu às redes sociais no último sábado, dia 3, para engajar a população. De acordo com o parlamentar, a manifestação em BH faz parte de um esforço que se espera replicar em outras capitais brasileiras e em diversas partes do mundo, como uma maneira de expressar uma reação internacional ao que considera um ataque à soberania da Venezuela.
Críticas à Ação dos EUA
Correia não hesitou em classificar a atitude do governo norte-americano como um “ato de terrorismo”, apontando que houve um sequestro tanto de Maduro quanto da primeira-dama, Cilia Flores, pelo que ele considera a troca da soberania e do petróleo venezuelanos. “A reação deve ser global. Em Belo Horizonte, queremos todos nas ruas no dia 5, segunda-feira, a partir das 16h30, na Praça Sete”, enfatizou o deputado.
Em um vídeo postado em sua conta no Instagram, Rogério Correia disparou críticas contundentes contra o presidente dos EUA, Donald Trump, fazendo analogias entre sua postura e regimes autoritários do século XX. “Se ele não recuar agora, fará o que Hitler fez após invadir a Polônia. Não vai querer parar”, alertou.
Repercussões na Política Brasileira
Além de criticar a intervenção norte-americana, o deputado também associou o episódio ao atual cenário político brasileiro. Para ele, a extrema direita, em especial o movimento bolsonarista, estaria “ameaçando armar contra o Brasil e o presidente Lula”, promovendo pautas que envolvem anistia, revisão de penas e a manutenção de discursos de golpe. “Viva a soberania do povo venezuelano, fora Trump e o imperialismo, e sem anistia ou dosimetria para os golpistas de 8 de janeiro”, afirmou em suas postagens.
A divulgação da manifestação acontece poucas horas após parlamentares mineiros se manifestarem sobre o incidente. Os deputados da oposição ao governo de Romeu Zema (Novo) criticaram a incursão dos EUA, considerando-a uma violação da soberania da Venezuela. Por outro lado, aqueles ligados à base governista festejaram a ação, interpretando-a como o fim da ditadura no país vizinho. O líder do PL na Assembleia Legislativa chegou a afirmar em redes sociais que, após a queda de Maduro, “restaria apenas a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.
Contexto Internacional e Tensão na América do Sul
Na madrugada de sábado (3), o governo de Donald Trump anunciou ataques à Venezuela, alegando uma ação de combate ao narcoterrorismo. Autoridades norte-americanas declararam que a operação resultou na captura de Nicolás Maduro e de Cilia Flores, que teriam sido levados para Nova York, um movimento que intensificou as tensões entre Washington e Caracas. Esse episódio reacendeu preocupações sobre a instabilidade na América do Sul, uma região que, historicamente, busca preservar sua paz frente a intervenções militares externas.
