Mobilização em Defesa da Soberania Venezuelana
Na tarde desta segunda-feira, 5 de janeiro, centenas de cidadãos se reuniram em Belo Horizonte para protestar contra a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela. O foco da manifestação foi o apoio ao presidente deposto Nicolás Maduro, que foi preso durante uma operação militar realizada pelas forças norte-americanas na madrugada de sábado, 3 de janeiro. Os manifestantes também expressaram solidariedade à presidente interina, Delcy Rodríguez.
Entoando gritos de ordem contra a ação militar liderada pelo presidente Donald Trump, os participantes, que se concentraram na Praça Sete, no Hipercentro de BH, também demonstraram apoio ao povo palestino. Um ato simbólico marcante foi a queima e a destruição de bandeiras dos EUA, ressaltando a indignação coletiva.
Vozes da Manifestações
Dentre os que participaram do protesto, destacaram-se estudantes e políticos locais, como o deputado federal Rogério Correia e o ex-deputado Nilmário Miranda, ambos do PT. A presença de venezuelanos no ato também foi notável, refletindo a preocupação e o impacto direto da situação em seu país natal.
Dirlene Marques, professora aposentada da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG e integrante do Comitê Mineiro de Solidariedade ao Povo Palestino, foi uma das organizadoras do ato. Em suas palavras, “Aqui não está em discussão se concordamos ou discordamos do governo Maduro ou da Revolução Bolivariana; o que uniu todas as posições políticas foi a defesa da autodeterminação dos povos. É o povo do país quem deve determinar os rumos a seguir”.
Reações e Consequências
A nota conjunta emitida pelo Brasil e seus aliados condenando a ação militar dos EUA gerou uma onda de discussões acaloradas entre as diversas correntes políticas no Brasil. O ataque à Venezuela, considerado por muitos como uma violação do direito internacional, reacendeu debates entre a direita e a esquerda do país.
Dirlene prosseguiu, afirmando que “o ataque à Venezuela, um país soberano que teve seu território invadido e seu presidente e esposa sequestrados e levados como prisioneiros para os EUA, é um evento que unifica diversos setores políticos. Essa ação desrespeita todas as normas internacionais e, se normalizada, pode provocar um retrocesso histórico, onde a lei do mais forte prevalece sobre o direito dos povos”.
O clima no Brasil está tenso e as manifestações refletem preocupações mais amplas sobre a soberania e a autodeterminação dos países, temas que estão cada vez mais em pauta tanto na política interna quanto nas relações internacionais.
Os manifestantes deixaram claro que a luta pela liberdade e pelos direitos dos povos deve ser uma prioridade, e que intervenções externas não são a solução para os problemas internos de uma nação. A mensagem é clara: a defesa da soberania nacional deve ser um compromisso de todos, independentemente das diferenças políticas.
