Um Ataque Cirúrgico: O Que Aconteceu em 3 de Janeiro na Venezuela
No último sábado (03/01), os Estados Unidos realizaram um ataque significativo na Venezuela, bombardeando seu sistema de defesa aéreo em uma operação que, segundo o professor Héctor Saint-Pierre, especialista em Segurança Internacional, foi facilitada por um ataque cibernético que paralisou as comunicações militares do país. Para Saint-Pierre, essa ação representou uma operação militar meticulosamente planejada. Ele destaca que a missão foi preparada com cuidado nos dias que antecederam os ataques, com o envolvimento da Marinha dos EUA na região do Caribe.
Em uma entrevista ao Opera Mundi, o professor de Relações Internacionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp) explica que os serviços de inteligência dos EUA possuíam informações detalhadas sobre a localização e os movimentos do presidente venezuelano Nicolás Maduro, bem como das defesas do Exército local, incluindo os temidos mísseis S-300 soviéticos e radares chineses.
O ataque cibernético, que deixou os radares venezuelanos cegos, foi fundamental para o sucesso da operação. Com o corte de energia em áreas estratégicas, a defesa aérea da Venezuela tornou-se vulnerável. Em seguida, os bombardeiros dos EUA atacaram com precisão os lançadores de mísseis, comprometendo completamente a capacidade de resposta do país.
A Missão e Seus Desdobramentos
Simultaneamente, unidades especiais dos EUA, como o grupo Delta, realizaram o sequestro de Maduro, bloqueando, inclusive, as rotas de fuga do presidente. Na residência onde Maduro foi encontrado, ocorreu um intenso combate, resultando na morte de 32 soldados cubanos que estavam ali para proteger o líder venezuelano. Curiosamente, Saint-Pierre levanta a questão sobre a ausência de relatos de baixas entre as forças americanas, sugerindo que essa informação pode ter sido escondida pela administração Trump.
“A imprensa e os EUA não vão admitir que houve mortes entre os americanos”, afirma o especialista, que também considera a possibilidade de que informações tenham sido vazadas de dentro do círculo de Maduro, facilitando a operação. Contudo, ele ressalta que um ataque tão bem coordenado não poderia ter sido realizado apenas por vazamentos, mas também com um treinamento e planejamento minuciosos.
O professor observa que a defesa aérea da Venezuela falhou ao não prever um ataque cibernético e critica a falta de precaução de Maduro, que manteve suas rotinas, possivelmente acreditando na possibilidade de uma negociação com os EUA. “Isso é um erro grave em termos de segurança”, explica Saint-Pierre, enfatizando a importância de mudar constantemente os horários e as estratégias de segurança.
Implicações Regional e Global do Ataque
Sobre o impacto do ataque, Saint-Pierre acredita que a ação norte-americana representa uma nova dinâmica de poder na América Latina, onde os EUA demonstram sua capacidade de agir militarmente sem considerar as consequências legais ou morais. Segundo ele, a operação deixa claro que não há exército na região que possa resistir à vontade das grandes potências.
“O ataque mostra que estamos diante de uma ordem mundial diferente, onde as potências impõem suas regras sobre os territórios que dominam”, enfatiza Saint-Pierre. Ele critica a administração dos EUA, que optou pela força em vez de buscar soluções diplomáticas, e destaca que a mensagem é clara para países da América Latina: os EUA estão preparados para agir militarmente.
Além disso, o especialista sublinha que essa mudança de paradigma pode ter repercussões globais, como uma possível invasão da China a Taiwan ou ações de Putin na Ucrânia, como exemplos de um mundo onde as regras internacionais estão sendo cada vez mais desconsideradas.
“O que assistimos é um cenário onde os interesses das grandes potências prevalecem, e isso afeta diretamente a soberania dos países”, conclui. Para ele, a resposta dos países latino-americanos, principalmente daqueles que buscam manter sua autonomia, será crucial nos próximos anos, especialmente em um contexto onde os militares têm autonomia significativa em relação aos governos civis.
Diante de tudo isso, a pergunta que fica é: até que ponto os líderes da América Latina estarão dispostos a defender seus interesses nacionais frente a uma hiperpotência como os Estados Unidos? A resposta a essa questão pode moldar o futuro da região.
