Aumento nos Preços da Cesta Básica em Belo Horizonte
O preço da cesta básica em Belo Horizonte registrou um aumento de 1,58% entre novembro e dezembro de 2025, alcançando o valor de R$ 723,26. Esse resultado culmina em um crescimento acumulado de 2,40% ao longo do ano. Os dados foram divulgados na Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, conduzida mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Segundo o levantamento, cinco dos 13 itens que compõem a cesta básica da capital mineira ficaram mais caros em relação ao ano anterior. O café em pó foi o que apresentou o maior aumento, com uma elevação de 31,71% no preço, seguido pelo tomate, que teve alta de 16,84%. Também houve aumentos significativos no preço do pão francês (7,63%), banana (4,97%) e carne bovina de primeira (2,76%).
Queda nos Preços e Desempenho de Outros Alimentos
Entre os produtos que se tornaram mais baratos, o arroz agulhinha se destacou, com uma queda expressiva de 28,98%, resultado de uma supersafra nacional, maior oferta global e fraca demanda. Outros itens que apresentaram redução de preço foram o açúcar cristal (-16,09%), manteiga (-12,40%), leite integral (-9,28%), batata (-3,82%), farinha de trigo (-3,25%), óleo de soja (-3,23%) e feijão carioca (-0,29%).
Crescimento Abaixo da Inflação em Belo Horizonte
Fernando Duarte, supervisor técnico do Dieese em Minas Gerais, comentou sobre o aumento dos preços, destacando que, em uma economia saudável, a tendência é que os preços aumentem gradualmente. Importante notar que o crescimento do custo da cesta básica em Belo Horizonte foi inferior aos índices de inflação do País em 2025.
Para ilustrar, no acumulado de 12 meses até novembro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma alta de 4,46%. Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que é usado para o cálculo do reajuste anual do salário mínimo, teve um crescimento de 4,18%, conforme os últimos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Impacto no Salário Mínimo e na Renda do Trabalhador
Considerando o salário mínimo de 2025, que é de R$ 1.518,00, um trabalhador de Belo Horizonte precisou trabalhar cerca de 104 horas e 49 minutos para conseguir comprar a cesta básica pelo preço de dezembro. Em comparação, no ano anterior, quando o salário mínimo era de R$ 1.412,00, eram necessárias aproximadamente 110 horas e 03 minutos para adquirir o mesmo conjunto de alimentos.
Após os descontos de 7,5% da Previdência Social, o trabalhador precisou comprometer 51,51% de sua renda para adquirir a cesta básica em dezembro de 2025. Doze meses antes, esse percentual era de 54,08%. Apesar da melhora nos indicadores, o custo da cesta básica em Belo Horizonte continua elevado, o que ainda compromete consideravelmente a renda dos trabalhadores que recebem o salário mínimo.
Perspectivas para o Futuro da Cesta Básica em 2026
As expectativas para o comportamento da cesta básica em Belo Horizonte em 2026 são incertas. Fernando Duarte observa que prever esses preços nunca foi uma tarefa fácil, e que as mudanças climáticas intensificaram essa dificuldade. “O importante é que, na medida do possível, os preços dos alimentos fiquem abaixo da média da inflação”, afirma, ressaltando a necessidade de atenção ao comprometimento da renda dos trabalhadores com a compra dos alimentos. Ele ainda destaca que, neste ano, o salário mínimo teve um reajuste de 6,79%, elevando o valor para R$ 1.621,00.
