Investigação em Foco
Com o surgimento de indícios de interferência nas operações de liquidação do Banco Master, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), vice-líder da oposição, iniciou um movimento para coletar assinaturas com o intuito de criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). O objetivo é investigar as possíveis conexões entre o setor político, jurídico e financeiro relacionadas às irregularidades da instituição.
Jordy já obteve um total de 229 assinaturas, sendo 196 de deputados e 33 de senadores, um número que ultrapassa o necessário para a instalação da comissão. Entretanto, a lista de apoiadores é notavelmente desprovida de representantes do PT, PSOL e PC do B, partidos que fazem parte da base governista. Em conversas reservadas, políticos desse grupo revelaram que essa decisão foi uma orientação direta do Palácio do Planalto.
O governo possui razões estratégicas para se opor à criação de mais uma CPMI, especialmente em um ano eleitoral. A instalação da comissão poderia dificultar a aprovação de iniciativas cruciais, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e o Projeto de Lei Antifacção. Vale lembrar que a segurança pública é uma das principais preocupações manifestadas pelos cidadãos em diversas pesquisas de opinião.
Falta de Apoio entre Políticos Influentes
Outro aspecto que chama a atenção de Jordy é a ausência de assinaturas de figuras proeminentes, como o deputado Arthur Lira (PP-AL), um dos líderes do Centrão, e Mecias de Jesus (Republicanos-RR), que é pai do ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU). Nos últimos dias, Jhonatan esteve envolvido em controvérsia ao determinar uma inspeção emergencial do TCU no Banco Central, com o objetivo de averiguar o processo que resultou na liquidação extrajudicial do Banco Master. Após a repercussão negativa, o ministro decidiu recuar.
A determinação de Jhonatan foi interpretada como uma intromissão do TCU nas atribuições do Banco Central, e Jordy não hesitou em ironizar: “Agora entendemos o porquê da ausência de algumas assinaturas no requerimento, certo?”.
A Polícia Federal já identificou que certos negócios controversos do Banco Master foram firmados com entidades estaduais sob a influência de figuras políticas significativas, especialmente nos estados do Rio de Janeiro, Amapá, Bahia e no Distrito Federal. A busca por esclarecimento e transparência em casos de corrupção e má gestão pública continua a ser uma prioridade nas pautas políticas atuais.
