Gestão Única do Transporte: Uma Necessidade para a Grande BH
Quatro prefeituras situadas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, incluindo Contagem, Betim, Nova Lima e a capital mineira, estão em busca de uma solução definitiva para as questões do transporte público na Grande BH. Juntos, estes municípios, em parceria com o governo de Minas Gerais, reconhecem que o sistema atual é insustentável e necessita de uma reformulação urgente.
Uma proposta elaborada por um corpo técnico, com representantes dos municípios, está prevista para ser apresentada aos prefeitos e ao governador Romeu Zema (Novo) entre os meses de abril e maio deste ano. A intenção é estruturar uma gestão mais eficiente que promova mudanças práticas no serviço de transporte metropolitano.
Conforme informações apuradas pela Itatiaia, uma das alternativas em estudo pelo Grupo Técnico de Integração (GT Integração) envolve a criação de uma governança única para a administração do transporte público nas cidades da região metropolitana. Este modelo, caso implementado, permitirá uma gestão coletiva entre os municípios e o governo estadual.
Retrospectiva e Propostas para o Futuro
Na década de 1980, o transporte público na Grande BH era gerido pela Companhia de Transportes Urbanos da Região Metropolitana (Metrobel), criada em 1978. Naquela época, a autarquia era administrada exclusivamente pelo governo estadual, sem a participação ativa das prefeituras da região. Hoje, a proposta de um novo modelo de governança sinaliza uma mudança significativa, onde o transporte seria administrado de forma conjunta.
Atualmente, no Brasil, apenas as regiões metropolitanas de Vitória (ES), Recife (PE) e Goiânia (GO) operam seu transporte de maneira integrada, através de parcerias entre prefeituras e governos estaduais. Em Goiânia, por exemplo, a Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC) coordena todas as linhas e serviços que atendem a capital e outros 18 municípios, proporcionando um sistema eficiente com 51 pontos de integração.
Desafios e Demandas dos Prefeitos
No final de 2025, a Itatiaia entrevistou seis prefeitos da Grande BH — Sabará, Betim, Nova Lima, Contagem, Ribeirão das Neves e Santa Luzia. Todos destacaram as dificuldades enfrentadas para avançar com propostas relacionadas ao transporte intermunicipal, que ainda está sob a responsabilidade do governo de Minas. Este tema tem sido uma das principais bandeiras da prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), que tem atuado como um elo entre os governantes municipais e o governo estadual para promover mudanças significativas no sistema metropolitano.
De acordo com a reportagem, há uma expectativa positiva tanto por parte dos municípios quanto do secretário de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra-MG), Pedro Bruno, para discutir novas ideias e tirar os planos do papel. Com o projeto a ser apresentado e a aprovação dos gestores, a implementação da integração pode ocorrer em um prazo de até um ano e meio.
Queda no Uso do Transporte e a Necessidade de Reformas
Além das reclamações dos usuários sobre a qualidade do serviço prestado, o transporte metropolitano não conseguiu recuperar o número de passageiros após a pandemia de Covid-19, que teve início em 2020. Segundo um anuário divulgado em agosto do ano passado pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), o transporte intermunicipal da Grande BH atingiu apenas 66% da demanda anterior à pandemia, um número inferior à média nacional de 86%.
Em 2020, com as restrições de circulação, o número de passageiros transportados caiu drasticamente, de 184 milhões em 2019 para 112 milhões. Embora tenha havido um aumento em 2021, com 119 milhões de passageiros, e um novo crescimento em 2022, alcançando 140 milhões, em 2023 esse número voltou a despencar para 133 milhões, caindo ainda mais para 126 milhões em 2024, segundo dados da Seinfra-MG.
Marco Antônio Silveira, ex-presidente da Transcon e atual assessor especial da autarquia que representa Contagem no GT Integração, pontua que a pandemia e a insatisfação dos usuários com o serviço são fatores que contribuíram para essa queda. Ele enfatiza a urgência de melhorias no sistema: “É fundamental que haja uma retomada da integração da região metropolitana na mobilidade, oferecendo custos mais adequados e acessíveis, que atendam as necessidades da população a qualquer hora e dia da semana”.
Recentemente, a Seinfra-MG destacou que todos os 34 municípios da Grande BH estão interligados à capital, exceto Juatuba, que não possui uma linha direta, sendo atendida apenas por ônibus de Mateus Leme e Florestal. No total, o sistema metropolitano conta com 640 linhas ativas, com 10.835 viagens em dias úteis e 1.884 durante o período noturno.
